G7

Acordo do clima de Paris se submete ao desafio de um G7 com Trump

O presidente americano, Donald Trump, disse durante sua campanha que iria sair desse acordo mundial contra as mudanças climáticas.

Luana Nova
Luana Nova
Publicado em 25/05/2017 às 16:45
Foto: AFP
O presidente americano, Donald Trump, disse durante sua campanha que iria sair desse acordo mundial contra as mudanças climáticas. - Foto: AFP
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Será a luta contra o aquecimento global uma prioridade na cúpula do G7 em Taormina? Parece improvável, segundo os especialistas, apesar dos esforços dos chefes de Estado para convencer Donald Trump a permanecer no acordo de Paris.

O presidente americano disse durante sua campanha que iria sair desse acordo mundial contra as mudanças climáticas.

Entretanto, depois expressou dúvidas e a decisão foi prorrogada até o seu retorno à Europa, o que havia deixado na incerteza a seus colegas do G7 (Alemanha, França, Canadá, Itália, Reino Unidos e Japão).

"Esperávamos antes de novembro (e da inesperada eleição de Trump) que o G7 iria reforçar a dinâmica" do acordo de Paris, explica Tom Burke, presidente da ONG britânica E3G. Mas "os governos não vão travar uma guerra contra Trump sobre este assunto", acrescenta.

Os chefes de Estado e de governo conhecem as grandes expectativas de suas opiniões públicas para que se acelere a emergência de energias renováveis para limitar o aquecimento. 

Mas com Trump em Taormina, na Sicília, não haverá consenso sobre o fim dos subsídios às energias fósseis (gás, petróleo, carvão) nem estímulos para impor impostos às emissões de CO2.

"O problema é que neste G7 todo o mundo está concentrado em Trump" e esquece a absoluta necessidade de implementar "políticas climáticas mais ambiciosas" do que as atuais, se o mundo quer reduzir a menos de 2°C o aquecimento, analisa Alden Meyer, especialista da organização americana Union of Concerned Scientists. 

'Interesse de todos' 

A ausência da menor referência ao clima no comunicado final do G7 seria percebida como um grande retrocesso.

"Devido a seu papel central na economia e nos temas de segurança, o clima esteve no coração de cada comunicado dos G7 e G8 nesses últimos dez anos", lembra David Waskow, especialista do World Resources Institute.

Para convencer Trump, os dirigentes presentes em Taormina vão insistir nos benefícios da luta contra o aquecimento: desenvolvimento de energias limpas, melhor saúde pública, contenção das migrações, redução de risco de conflitos, etc.

Na quarta-feira, fontes próximas ao presidente francês Emmanuel Macron afirmaram que toda a diplomacia trabalha na "mesma direção". Macron reconhece que esse tema será o "mais complicado" desse G7, em que se tratarão também grandes assuntos internacionais (comércio, conflitos, migrações, saúde, etc).

Dias antes de sua eleição em meados de maio, o presidente francês havia declarado que faria "tudo" para que Trump permanecesse no acordo de Paris e que para isso contava com o apoio "muito forte" da China.

A chanceler alemã Angela Merkel, que presidirá em julho um G20, disse nesta segunda-feira que trabalhava para "convencer os céticos" e lembrou que é "do interesse de todos" atuar contra o aquecimento. "Todos sairemos beneficiados", insistiu.

Informes publicados nesta semana apoiam essas declarações. O primeiro publicado pela Otan ressalta a relação entre segurança e clima. O segundo, produzido pela OCDE, estima que o PIB dos países do G20 até 2050 ganharia 2,8% adicional graças a políticas climáticas coerentes com o acordo de Paris.

"A inação terá o custo mais elevado", resumiu Angel Gurría, o secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

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