Petróleo

Opep a ponto de prorrogar acordo para limitar produção

Diante da queda de preços provocada pelo petróleo de xisto nos EUA, os 13 membros da Opep concordaram no ano passado em limitar sua produção.

Luana Nova
Luana Nova
Publicado em 25/05/2017 às 11:32
Foto: HAIDAR MOHAMMED ALI/AFP
Diante da queda de preços provocada pelo petróleo de xisto nos EUA, os 13 membros da Opep concordaram no ano passado em limitar sua produção. - Foto: HAIDAR MOHAMMED ALI/AFP
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Os países da Opep e seus sócios decidiam nesta quinta-feira (25) uma prorrogação de nove meses, até março de 2018, de seu acordo para limitar a produção de petróleo, apesar das dúvidas do mercado sobre seu efeito nos preços.

"Foi ratificada a decisão de prorrogar por nove meses" os cortes, anunciou o ministro equatoriano do Petróleo, Carlos Pérez, ao final da reunião na sede, em Viena, da Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

Pouco antes de se reunir com seus colegas, o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, líder de fato do grupo, assegurou que a renovação será nas mesmas condições do ano passado.

O pacto firmado em novembro passado, o primeiro importante em anos de um cartel que parecia ter perdido sua capacidade de influência, levou 24 países de dentro e de fora da Opep a reduzir sua produção em um total de 1,8 milhão de barris diários (MBD) em relação aos níveis de outubro de 2016.

O resultado é um barril que agora se aproxima dos 50 dólares, preço que ainda é menos da metade em comparação ao de 2014.

"A ideia é levar agora os inventários a níveis similares à média dos últimos cinco anos", declarou o ministro venezuelano do Petróleo, Nelson Martínez.

Este é um objetivo compartilhado por seus sócios do grupo, que representa 40% da produção mundial.

Diante da queda de preços provocada pelo petróleo de xisto nos Estados Unidos, cada vez mais competitivo, os 13 membros da e outros grandes produtores mundiais, entre eles a Rússia, concordaram no ano passado em limitar sua produção.

O principal objetivo é reduzir os estoques e apoiar a alta dos preços, um acordo enfim renovado nesta quinta-feira.

"Para estabilizar o mercado precisamos de várias condições, a principal delas é regularizar o tamanho dos inventários", reafirmou o ministro venezuelano.

Desde o acordo histórico do ano passado, o barril varia entre 45 e 55 dólares em Nova York, muito distante do mínimo de 26 dólares que alcançou em fevereiro de 2016.

Nesta quinta-feira, pouco antes do anúncio, o preço do barril alcançou o preço máximo em um mês (54,67 dólares o Brent e 52,00 o WTI), mas logo caiu cerca de dois dólares.

"Os mercados já contavam com uma prorrogação de nove meses e como não há surpresas os preços não caíram", explicou à AFP Deshpande Abhishek, analista do Natixis.

As negociações não foram fáceis. Entre os países relutantes em prorrogar o acordo estava o Iraque, que necessita da receita para financiar sua guerra contra os extremistas, mas que finalmente decidiu aceitar o plano.

Nigéria e Líbia, que também enfrentam problemas internos, podem seguir isentos de cumprir os cortes. 

A Opep também anunciou oficialmente nesta quinta-feira a entrada da Guiné Equatorial no cartel e explicou que o país africano também participará nos esforços de redução.

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