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Sites de extrema-direita são bloqueados nos EUA

Sites de extrema-direita foram retirados do ar após ataque neonazista no último dia 12 de agosto, em Charlottesville, nos EUA

AFP
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Publicado em 21/08/2017 às 11:22
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Sites de extrema-direita foram retirados do ar após ataque neonazista no último dia 12 de agosto, em Charlottesville, nos EUA - FOTO: Foto: Pixabay
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Após o fechamento na Internet de páginas com conteúdo racista na esteira dos confrontos em Charlottesville, os EUA se questionam - com uma urgência renovada - a respeito das ameaças que pesam sobre sua sagrada liberdade de expressão.

Vários sites e páginas em redes sociais conhecidos por seu conteúdo de extrema-direita foram tirados do ar, repetidas vezes, desde as violentas manifestações nessa cidade americana, em 12 de agosto. Nesse dia, um simpatizante do neonazismo espalhou terror ao atropelar uma multidão, matando uma jovem militante antirracismo.

O site Daily Stormer, cujo fundador, Andrew Anglin, proclama abertamente sua admiração por Adolf Hitler, passou por dias movimentados. Depois de ser fechado pelo hospedeiro de sites GoDaddy, tentou mudar de endereço, antes de ser novamente bloqueado pelo Google. A terceira tentativa, desta vez com um nome de domínio russo, também foi malsucedida. Um grande prestador americano de serviços de segurança para milhões de hospedeiros e de sites, o Cloudfare, anunciou que bloquearia o Daily Stormer.

Já a rede social adotada pelos grupos de extrema-direita Gab foi cortada do Google Play, loja do Google para aplicativos usados no sistema Android. Contas de outros grupos extremistas no Facebook e no Instagram foram bloqueadas.

A onda de expulsões também chegou ao site de encontros OkCupid, que expulsou o supremacista branco Chris Cantwell na quinta-feira (17).

"No OKCupid, levamos os direitos fundamentais de cada um muito a sério", comentou o CEO do site, Elie Seidman.

"Mas o privilégio de pertencer à comunidade do OKCupid não se estende aos nazistas e aos supremacistas", pontuou.

Debate

Essas decisões categóricas reavivaram um dos debates mais sensíveis nos Estados Unidos: o do direito quase sagrado ao exercício da liberdade de expressão.

Considerando-se que as empresas privadas controlam praticamente todos os serviços oferecidos na internet, elas devem ter o poder de tomar essas iniciativas?

"Não", afirma a Electronic Frontier Foundation, uma instituição especializada nos direitos civis na era digital e que denuncia uma censura "perigosa" por parte de GoDaddy, Google e Cloudflare.

"Temos de reconhecer que, na internet, qualquer tática empregada para calar os neonazistas será em breve aplicada contra outros, incluindo pessoas com as quais estamos de acordo", alegam seus membros.

"Não defendemos a liberdade de expressão porque estamos de acordo com o que se diz. Fazemos isso porque achamos que ninguém - nem o governo, nem as empresas privadas - deveria ter o poder de decidir quem pode falar e quem deve se calar", justificam.

O CEO do Cloudflare, Matthew Prince, reconheceu o lado arbitrário de sua tomada de posição contra o Daily Stormer, em mensagem enviada a seus funcionários.

"Minha lógica por trás dessa decisão é simples: as pessoas por trás do Daily Stormer são idiotas e eu cansei", escreveu, sem rodeios.

"Eu acordei literalmente de mau humor e decidi que alguém deveria ser proibido do acesso à internet. Ninguém deveria ter esse poder", avaliou.

Discursos de ódio protegidos

Mídia social que segue o modelo do Twitter, a Gab foi lançada no ano passado por um "libertário" e ferrenho defensor da liberdade de expressão, Andrew Torba, e conta com mais de 200 mil usuários, segundo seu porta-voz, Utsav Sanduja.

Boa parte do conteúdo publicado é fortemente marcada pela extrema direita, com mensagens abertamente antissemitas e racistas, mas Utsav Sanduja garante que Gab também tem usuários de extrema esquerda e apolíticos.

Foi, porém, um pico de mensagens de extrema direita que levou o Google Play a retirar o Gab de suas ofertas na semana passada.

"Os aplicativos de redes sociais devem demonstrar que os moderadores desempenham um papel adequado, em especial para os conteúdos que incitam à violência e que defendem o ódio contra certos grupos", explicou um porta-voz do Google à AFP.

Para o porta-voz do Gab, trata-se apenas de censura, pura e simples, já que a primeira emenda da Constituição americana defende a liberdade de expressão, mesmo que o conteúdo seja considerado insultante.

"O Gab tenta garantir que os usuários gozem esses direitos garantidos pela Constituição. Esses grupos gigantes os suprimem", acusa.

"A Suprema Corte resolveu: os discursos de ódio também são cobertos pela liberdade de expressão", defende a rede social.

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