SENADO

Democrata impõe derrota a Trump em eleição no Alabama

Doug Jones venceu as eleições para o senado no Alabama, impondo uma derrota a Trump, que apoiava um republicano acusado de ter assediado menores

Rafael Paranhos da Silva
Rafael Paranhos da Silva
Publicado em 13/12/2017 às 3:45
Foto: AFP
Doug Jones venceu as eleições para o senado no Alabama, impondo uma derrota a Trump, que apoiava um republicano acusado de ter assediado menores - Foto: AFP
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O senador democrata Doug Jones venceu as eleições para o senado no Alabama nessa terça-feira (12), impondo uma derrota ao presidente Donald Trump, que apoiava um republicano acusado de ter assediado menores, informaram as redes de televisão CNN e Fox News.

A participação foi alta, particularmente nas regiões de maioria negra, favoráveis aos democratas.

Trump apostou em Roy Moore, um ex-magistrado conservador que queria levar ao Senado seu ativismo religioso, mas que há um mês foi acusado de ter tocado e assediado dois menores na década de 1970.

Mas o eleitorado optou por Jones, que disputava as eleições "mais importantes" da história do estado.

"Temos o sentimento do dever cumprido, após ter começado (esta corrida) com uma equipe pequena", afirmou o candidato democrata, um ex-procurador-federal de 63 anos.

Moore, que chegou a cavalo a uma seção eleitoral na localidade rural de Gallant, desafiou a imprensa: "não tenho medo dos jornalistas, devem parar de escrever coisas falsas".

Polêmica

A polêmica a respeito de Moore criou um debate dentro do Partido Republicano e abriu a possibilidade para a vaga passar às mãos dos democratas, algo inédito em um quarto de século.

Congressistas e personalidades relevantes do partido pediram que Moore se retirasse, mas acabaram resignando-se a uma espécie de derrota.

Com o resultado, a maioria republicana na Câmara Alta do Congresso americano fica com 51 dos cem assentos, uma margem de manobra muito reduzida para assegurar a aprovação de suas propostas.

Diante desta situação, Trump entrou em cheio na campanha para tentar conservar a cadeira deixada vaga por Jeff Sessions, ao ser nomeado procurador-geral, sem pensar nas eleições legislativas de 2018 ou em como ficaria a imagem dos republicanos.

"Fake news"

"Preciso que o Alabama vote em Roy Moore", repetiu Trump na segunda-feira.

Moore adotou a estratégia trumpista e qualificou de "fake news" (notícias falsas) as acusações das mulheres.

Além de seu discurso tradicional contra o acordo, os homossexuais e os transgênero, retomou os grandes temas das presidenciais, como a imigração ilegal e a defesa, destacando-se como um parceiro de confiança do presidente.

Sua esposa, Kayla, defendeu, ainda, sua honra e rejeitou as acusações de racista, sexista e antissemita. "Nosso advogado é judeu", declarou, por exemplo.

Doug Jones também recebeu o apoio do seu partido. O ex-presidente Barack Obama pediu votos para Jones em uma tentativa de mobilizar a população negra, que representa um quarto dos eleitores e pode ser decisiva no resultado.

Jones também buscou o apoio dos republicanos moderados e das classes atlas, que podem se sentir incomodados com as acusações a respeito de Moore.

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