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'Gigantes da internet' devem pagar por notícias pelas quais faturam

Nove agências de notícias solicitaram aos 'gigantes da internet' o pagamento dos direitos autorais do conteúdo jornalístico que os faz faturar

Amanda Azevedo
Amanda Azevedo
Publicado em 13/12/2017 às 21:39
Foto: AFP
Nove agências de notícias solicitaram aos 'gigantes da internet' o pagamento dos direitos autorais do conteúdo jornalístico que os faz faturar - Foto: AFP
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Nove agências de notícias europeias, entre elas France-Presse, DPA e EFE, solicitaram aos 'gigantes da internet' a pagarem pelos direitos autorais referentes ao conteúdo jornalístico que os faz faturar, em comunicado publicado por meio do site do jornal francês Le Monde. 

Essa nota aparece em meio a um debate que está sendo realizado pela União Europeia, que busca uma forma para que o Facebook, Google e Twitter, além de outros sites também muito acessados, paguem pelos milhões de notícias utilizadas por eles ou as quais eles direcionam. 

"O Facebook se tornou a maior mídia do mundo", declararam as agências. 

"Ainda assim, nem o Facebook ou Google tem uma redação... Eles não possuem correspondentes que arriscam suas vidas (fazendo uma cobertura) na Síria, um escritório no Zimbábue investigando a saída de Mugabe do poder ou editores para fazer a checagem e verificação da informação enviada por repórteres que estão na rua", acrescentou a nota. 

"O acesso a informação é possivelmente uma das maiores vitórias da internet. Mas é um mito", argumentaram as agências.

"No fim da linha de transmissão (da notícia), informar o público acaba custando muito dinheiro". 

O acesso às notícias, ressaltou a publicação, é o segundo principal motivo para os usuários entrarem no Facebook, além de interagir com amigos ou a família. No último ano, a rede social americana triplicou o seu faturamento, chegando ao marco de 10 bilhões de dólares. 

São os gigantes da internet os que mais faturam a partir do "trabalho feito por outras pessoas", concentrando entre 60 a 70 por cento do rendimento publicitário, tendo o Google alcançado a quinta posição nesse quesito no último ano. 

Por outro lado, o faturamento relacionado à publicidade na imprensa caiu em nove por cento na França no último ano, "um desastre para a indústria". 

 'Pilar da democracia em risco'

"Anos se passaram (sem que nada fosse feito) e veículos de mídia gratuitos e confiáveis agora estão ameaçados porque simplesmente não poderão mais ser financiados", acrescentaram as agências de notícias.

"Fontes confiáveis e diversificadas, um pilar para a democracia, estão sob risco". 

Tentativas feitas pela imprensa francesa, alemã e espanhola para forçar os gigantes da internet a pagar por suas notícias apenas resultaram neles contribuindo com "simbólicas migalhas", disseram. 

As agências de notícias insistiram que boa parte dessa questão desproporcional poderia ser retificada se a União Europeia concedesse aos trabalhos realizados por elas e outras mídias os "direitos que correspondam" aos direitos autorais. 

De qualquer forma, alguns membros do Parlamento Europeu estavam receosos de que a proposta ameaçasse o livre acesso a informação (notícias) para os usuários da internet. 

Porém, isso não ocorreria, segundo as agências. 

"Os usuários da rede não sofreriam mudanças... apenas aqueles que no momento faturam uma parcela desproporcional do lucro relativo aos anúncios publicitários agora teriam que dividir um valor significante relativo a isso com aqueles que realmente são responsáveis pela produção da informação". 

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