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EUA suspendem restrição de entrada a refugiados de 11 países

Os 11 países, afetados em outubro por uma revisão da política de refugiados da administração Trump, não foram nomeados oficialmente

Amanda Azevedo
Amanda Azevedo
Publicado em 29/01/2018 às 21:14
Foto: MAHMUD HAMS / AFP
Os 11 países, afetados em outubro por uma revisão da política de refugiados da administração Trump, não foram nomeados oficialmente - FOTO: Foto: MAHMUD HAMS / AFP
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O governo de Donald Trump suspendeu nesta segunda-feira (29) a restrição de entrada nos Estados Unidos a refugiados de 11 países "de alto risco", mas tornou mais rigorosas as condições de admissão, disse o Departamento de Segurança Interior em um comunicado.

Os solicitantes de 11 países, não identificados, mas que, segundo a imprensa local, incluem 10 nações de maioria muçulmana mais a Coreia do Norte, enfrentarão avaliações mais estritas e com base "no risco" para serem aceitos.

"É muito importante que saibamos quem entra nos Estados Unidos", disse a secretária de Segurança Interior, Kirstjen Nielsen.

"Estas medidas de segurança adicionais dificultarão que se aproveitem de nosso programa de refugiados, e garantirão que adotemos um enfoque mais baseado no risco para proteger a pátria", apontou.

Revisão da política de refugiados

Os 11 países, afetados em outubro por uma revisão da política de refugiados da administração Trump, não foram nomeados oficialmente.

Mas os grupos de refugiados dizem que se trata de Egito, Irã, Iraque, Líbia, Mali, Coreia do Norte, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Síria e Iêmen.

Um alto funcionário do governo disse a jornalistas que a revisão da política de refugiados não foi planejada para atacar os muçulmanos. 

"Nossas admissões não têm nada que ver com a religião", disse o funcionário na condição de anonimato. 

Não há "nada especialmente novo" sobre um processo de seleção mais rigoroso para os países com maior nível de risco, acrescentou. 

Postura mais dura

Desde que assumiu, há um ano, Trump adotou uma postura muito mais dura com os imigrantes e refugiados de todos os países em relação a seu antecessor Barack Obama. 

As admissões anuais de refugiados caíram para mais da metade, a um máximo de 45.000 no ano fiscal de 2018, que acaba em 31 de setembro.

No ano fiscal de 2017, iniciado em outubro de 2016, cerca de 110.000 refugiados foram admitidos nos Estados Unidos.

Segundo analistas críticos das medidas de Trump, as políticas do governo republicano levarão a uma queda de 50% das chegadas de imigrantes por ano, uma admissão cada vez menor no território de pessoas provenientes de países predominantemente muçulmanos da Ásia e da África.

Na semana passada, Trump propôs pôr fim a um programa iniciado há 27 anos que tinha como objetivo diversificar a origem dos imigrantes e que consistia no sorteio de documentos de residência no país.

Também propôs limitar fortemente os casos de reagrupamento familiar, reduzindo-os às esposas e aos filhos menores de idade dos imigrantes que já estão no país. 

Até agora, essa "migração em rede" podia se estender a pais, avós, irmãos e outros familiares. 

A Casa Branca disse que a política restritiva era necessária para proteger a segurança nacional frente a "ameaças terroristas". 

Em troca, Trump propôs um plano que oferece a 1,8 milhão de imigrantes chegados ilegalmente ao país com seus pais quando eram menores de idade, conhecidos como "dreamers", uma via para acessar a cidadania americana após "um período de 10 a 12 anos".

Democratas e republicanos estão começando as negociações sobre essas propostas, junto com a solicitação de Trump de destinar cerca de 25 bilhões de dólares para a construção de um muro na fronteira com o México.

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