UNIÃO EUROPEIA

UE lamenta isenção provisória americana que prorroga 'incerteza'

Trump decidiu manter até o dia 1º de junho as isenções provisórias de tarifas alfandegárias sobre as importações de aço e alumínio provenientes da União Europeia

Vitor Nascimento
Vitor Nascimento
Publicado em 01/05/2018 às 10:10
Foto: DANIEL LEAL-OLIVAS / AFP
Trump decidiu manter até o dia 1º de junho as isenções provisórias de tarifas alfandegárias sobre as importações de aço e alumínio provenientes da União Europeia - FOTO: Foto: DANIEL LEAL-OLIVAS / AFP
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Os europeus receberam com pesar nesta terça-feira (1) a nova isenção provisória de tarifas alfandegárias sobre as importações de aço e alumínio decidida por Washington, lamentando "uma decisão que prolonga a incerteza" sem resolver o impasse comercial.

O presidente americano, Donald Trump, decidiu manter até o dia 1º de junho as isenções provisórias de tarifas alfandegárias sobre as importações de aço e alumínio provenientes da União Europeia, do Canadá e do México, segundo informou a Casa Branca na segunda-feira.

"O governo (de Trump) prorrogou por 30 dias as negociações com Canadá, México e União Europeia. Em todas essas negociações, a administração mantém o foco nas cotas que restringirão as importações (...) e preservarão a segurança nacional", apontou a presidência em comunicado.

Trump havia promulgado, no dia 8 de março, tarifas de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as do alumínio, mas isentou Canadá e México, de forma imediata, e a União Europeia, no final de março.

As isenções venciam em 1º de maio

No caso de Canadá e México, Washington vinculou a isenção definitiva das tarifas a uma renegociação favorável do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA). 

A UE não ficou satisfeita com a decisão que "prolonga a incerteza do mercado, que já afeta as decisões comerciais", reagiu o Executivo europeu esta manhã.

A UE "deveria ser totalmente e definitivamente isenta dessas medidas, porque não podem ser justificadas por razões de segurança nacional", acrescentou a Comissão. O diálogo com os Estados Unidos vai prosseguir, mas "nós não negociaremos sob ameaça", insistiu.

Berlim "ainda espera uma isenção duradoura", indicou por sua vez a porta-voz do governo alemão em um comunicado. Mais cedo, o governo britânico comemorou a decisão provisória, mas ressaltou que continuaria a procurar uma "isenção definitiva" com seus "parceiros da UE e o governo americano".

A decisão ocorre no momento em que os europeus multiplicam seus apelos por uma isenção definitiva destas tarifas e ameaçam retaliar. "Somos pacientes, mas também estamos preparados", declarou a porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, acrescentando que "há contatos em todos os níveis".

Na segunda-feira, Washington anunciou que a Coreia do Sul finalmente concordou em reduzir suas exportações de aço para os Estados Unidos e abrir ainda mais seu mercado aos automóveis americanos.

Também informou um "acordo de princípios" com Brasil, Argentina e Austrália, cujos "detalhes serão conhecidos em breve.

Os europeus acusam a China, que lidera a produção de aço em nível mundial e é apontada por subsidiar sua indústria, pela superprodução no setor. Já Pequim denunciou na Organização Mundial do Comércio (OMC) as tarifas que sofre por parte de Washington contra suas exportações de aço.

No domingo, o presidente francês, Emmanuel Macron, a chanceler alemã, Angela Merkel, e a primeiro-ministra britânica, Theresa May, voltaram a advertir os Estados Unidos contra sanções comerciais, alertando que a UE está "pronta para reagir, se necessário, de forma eficaz e com celeridade".

Bruxelas tem preparado sua resposta aos Estados Unidos, mas com medidas que respeitam as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). A medida mais imediata seria taxar dezenas de produtos americanos emblemáticos, como tabaco, bourbon, jeans ou motocicletas.

Embora em abril os representantes dos países da UE tenham aprovado uma lista de produtos, ainda faltam algumas semanas para que a medida possa ser aplicada. Bruxelas também poderia apresentar uma queixa à OMC, argumentando que as tarifas americanas, justificadas em nome da segurança nacional, servem, na verdade, para dar vantagem para suas empresas.

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