PROTESTOS

Um morto e três feridos em noite de distúrbios na Nicarágua

O fato aconteceu em uma universidade, onde estudantes protestam contra o governo, na Zona Leste de Manágua, em Nicarágua

Vitor Nascimento
Vitor Nascimento
Publicado em 11/05/2018 às 7:18
Foto: AFP
O fato aconteceu em uma universidade, onde estudantes protestam contra o governo, na Zona Leste de Manágua, em Nicarágua - FOTO: Foto: AFP
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Uma pessoa morreu e três ficaram feridas na quinta-feira em distúrbios em uma universidade da zona leste de Manágua, na Nicarágua, onde vários estudantes que protestam contra o governo estão entrincheirados.

O vice-comandante de polícia Francisco Díaz afirmou que "em consequência dos tiros de grupos vândalos" faleceu Kevin Valle, de 18 anos, na área da Universidade Politécnica (UPOLI), foco dos protestos.

O líder do Movimento Estudantil 19 de abril Víctor Cuadra acusou o governo de iniciar uma "caça", com tiros na direção dos jovens que estão na UPOLI. Três pessoas ficaram feridas, segundo as mesmas fontes.

Os estudantes acusaram o governo. Os jovens estão entrincheirados no local desde os protestos de 18 de abril contra uma reforma do sistema previdenciário.

O governo revogou a lei que reduzia a pensão dos aposentados e pediu um diálogo, ainda sem data, mas o descontentamento prossegue após as mortes de 47 pessoas, incluindo dois policiais e um jornalista.

Protestos

Milhares de pessoas marcharam nessa quarta-feira (9), na capital da Nicarágua, convocadas por estudantes para exigir justiça e democracia, em uma nova mobilização maciça contra o governo do presidente Daniel Ortega.

A mobilização paralisou a parte oeste de Manágua, com gritos de "povo, se una" e "eram estudantes, não eram criminosos", referindo-se aos 47 mortos pela repressão policial contra os protestos iniciados em abril.

O movimento de protesto começou como manifestações estudantis contra uma reforma do seguro social, mas a repressão brutal e a detenção arbitrária dos participantes causaram indignação popular e espalharam a mobilização por todo o país.

A rota definida para a manifestação desta quarta foi pequena para a imensa multidão que se reuniu na Catedral de Manágua, o ponto de partida. 

Os manifestantes estavam a pé, em motocicletas e agitando bandeiras da Nicarágua, enquanto gritavam "que vão embora", em uma mensagem a Ortega e sua esposa e vice-presidente, Rosario Murillo, os quais chamavam de "ladrões" e "assassinos".

A marcha organizada pela Coalizão Universitária reuniu estudantes, camponeses, empresários e pessoas de diferentes partes do país, em uma nova marcha em massa em meio à onda de protestos que também deixaram 400 feridos, segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh).

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