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Estados Unidos retomam duras sanções unilaterais contra Irã

Nesta etapa, Washington bloqueará transações financeiras e importações de matérias-primas, além de medidas punitivas às compras no setor automotivo e de aviação comercial

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Publicado em 07/08/2018 às 3:28
OLIVIER DOULIERY / AFP
Nesta etapa, Washington bloqueará transações financeiras e importações de matérias-primas, além de medidas punitivas às compras no setor automotivo e de aviação comercial - FOTO: OLIVIER DOULIERY / AFP
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Os Estados Unidos retomaram nesta terça-feira (7) duras sanções unilaterais contra o Irã, que estavam suspensas desde a histórica assinatura do acordo multilateral firmado com Teerã, que o presidente Donald Trump descartou em maio.

As duas primeiras rodadas de sanções entraram em vigor às 04H01 GMT (01H01 Brasília), como o anunciado pelo governo de Donald Trump, que rompeu o acordo firmado por seu antecessor, Barack Obama, de forma unilateral.

Nesta primeira etapa, Washington bloqueará transações financeiras e importações de matérias-primas, além de medidas punitivas às compras no setor automotivo e de aviação comercial.

Em novembro, uma segunda fase de sanções se concentrará no setor de petróleo e gás, assim como no Banco Central.

Essas medidas vão pesar na economia iraniana, já castigada por uma elevada taxa de desemprego e pela inflação. O rial iraniano perdeu quase dois terços de seu valor em seis meses.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, denunciou na segunda-feira uma tentativa de "guerra psicológica" contra seu país.

"Se você é um inimigo e enfia uma faca em alguém e em seguida diz que quer negociar, a primeira coisa a fazer é tirar a faca", disse Rohani em entrevista, na qual afirmou ainda que seu pais "sempre esteve aberto às negociações. 

"Como eles podem mostrar que são dignos de confiança? Voltando ao acordo", afirmou, referindo-se ao acordo nuclear concluído em 2015.

Pouco antes das declarações de Rohani, Trump alertou o Irã sobre seu comportamento "desestabilizador", mas deixou a porta aberta para um novo acordo nuclear. 

"O regime iraniano tem escolha", afirmou o presidente americano. "Pode mudar sua atitude ameaçadora e desestabilizadora e se reintegrar à economia mundial, ou pode continuar na rota do isolamento econômico".

"Continuo aberto a alcançar um acordo mais amplo que aborde toda a gama de atividades malignas do regime, incluindo seu programa de mísseis balísticos e seu apoio ao terrorismo", concluiu.

Desvalorização e protestos

Nos últimos dias, foram registradas manifestações esporádicas em várias cidades, assim como greves, fruto da cada vez maior insatisfação popular com o sistema político. No entanto, as duras restrições dificultam a verificação independente das publicações divulgadas nas redes sociais a esse respeito.

Em 5 de novembro, a segunda fase de sanções proibirá as vendas de petróleo do Irã e será mais prejudicial - embora países como China, Índia e Turquia tenham dito que não vão cortar completamente suas compras da commodity.

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, disse que o bloco, assim como o Reino Unido, a França e a Alemanha, lamentam profundamente a decisão de Washington. 

"Estamos determinados a proteger os operadores econômicos europeus que estão envolvidos em negócios legítimos com o Irã", disse ela em um comunicado.

Mas muitas grandes empresas europeias estão deixando o Irã por medo de sanções. 

"Pessoas ou entidades que não cancelarem suas atividades com o Irã estão em risco de sérias consequências", disse Trump na segunda-feira. 

Rohani abrandou as regras cambiais no domingo, permitindo a importação ilimitada de moeda estrangeira e ouro livre de impostos e a reabertura de casas de câmbio após uma tentativa fracassada de fixar o valor do rial em abril. 

As medidas pareceram acalmar os mercados nesta segunda: o rial ganhou força, a 95.500 por dólar, uma melhoria de 20% na sua queda histórica a 119.000 há duas semanas.

Novo acordo? 

Depois de meses de retórica violenta, na semana passada Trump surpreendeu, ao afirmar que estava disposto a se reunir com os dirigentes iranianos, sem condições prévias.

Mas o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, afirmou ser difícil imaginar uma renegociação do programa nuclear iraniano alcançado em 2015, após anos de negociações entre Teerã e as potências ocidentais (EUA, Reino Unido, França e Alemanha, além de Rússia e China).

O acordo tem como objetivo garantir o caráter estritamente pacífico das atividades nucleares da República Islâmica em troca do fim progressivo das sanções econômicas.

Há boatos de que Trump e Rohani poderiam se reunir em Nova York em setembro, na assembleia geral da ONU, embora segundo pessoas próximas o iraniano tenha negado convites dos EUA no ano passado. 

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