TENSÃO ENTRE EUA E IRÃ

Reino Unido convoca embaixador iraniano após prisão de embaixador britânico

Segundo o governo britânico, o embaixador participou de uma vigília pública para prestar homenagem às vítimas do voo 752 no dia 11 de janeiro

Carolina Fonsêca
Carolina Fonsêca
Publicado em 13/01/2020 às 16:02
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Foto: HO / BRITISH FOREIGN OFFICE / AFP
Segundo o governo britânico, o embaixador participou de uma vigília pública para prestar homenagem às vítimas do voo 752 no dia 11 de janeiro - FOTO: Foto: HO / BRITISH FOREIGN OFFICE / AFP
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O Reino Unido convocará o embaixador iraniano em Londres para pedir desculpas pela prisão de embaixador britânico em Teerã, Rob Macaire, segundo informou ao Parlamento nesta segunda-feira, 13, o ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab. "Em resposta, hoje convocaremos o embaixador iraniano para pedir desculpas e buscar garantias completas de que isso não acontecerá novamente", disse ele, acrescentando que as medidas de segurança da Embaixada no país foram reforçadas. Protestos têm acontecido após o governo iraniano admitir que sua Guarda Revolucionária abateu um avião comercial ucraniano por engano, matando todos os 176 a bordo.

Segundo o governo britânico, o embaixador participou de uma vigília pública para prestar homenagem às vítimas do voo 752 no dia 11 de janeiro. Ele teria deixado o local quando começou a haver sinais de que a vigília poderia se transformar em um protesto. "Deixe-me ser muito claro sobre isso. Ele não estava participando ou gravando um protesto ou demonstração política. Sua prisão no final daquele dia, sem fundamento ou explicação, foi uma flagrante violação do direito internacional", criticou Raab, enfatizando que o diplomata foi detido de maneira ilegal por três horas. A mídia iraniana afirmou que Macaire foi preso do lado de fora de uma universidade.

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O ministro aproveitou o momento para reforçar a orientação sobre viagens ao país. "Atualmente recomendamos que os cidadãos britânicos não viajem para o Irã ou façam voos para, a partir ou dentro do Irã", disse. Além da convocação direta, o governo britânico está tomando outras ações na área diplomática, de acordo com Raab. "Congratulamo-nos com o apoio internacional esmagador ao Embaixador de Sua Majestade no Irã e os direitos aos quais todos os diplomatas têm sob a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas", enfatizou.

Raab voltou a dizer, agora ao Parlamento, que o regime em Teerã está numa encruzilhada e pode deslizar cada vez mais para o isolamento político e econômico. "Mas existe uma alternativa e o regime tem uma escolha. A porta diplomática permanece aberta."

Ontem, o Irã convocou Macaire para explicar sua presença no protesto contra o governo local. Pelo Twitter, ele se defendeu das acusações de Teerã. "Posso garantir que não participei de nenhuma manifestação. Fui a um evento anunciado como uma vigília para as vítimas da tragédia envolvendo a queda do avião", afirmou, na rede social. "É normal querer prestar homenagem - algumas das vítimas eram britânicas. Saí após 5 minutos, quando alguns começaram a cantar", completou.

Trump diz que manifestantes iranianos se recusaram a pisar em bandeira americana

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou, também nesta segunda-feira, os manifestantes iranianos que protestam no país persa desde sábado.

"Os maravilhosos manifestantes iranianos se recusaram a pisar, ou denegrir de alguma forma, nossa grande bandeira americana", escreveu o líder da Casa Branca em sua conta oficial no Twitter. "Foi colocada uma bandeira dos EUA na rua para que eles pudessem pisar, e eles caminharam ao redor. Grande progresso!", acrescentou o republicano.

Os protestos começaram após o Irã ter assumido a responsabilidade pela queda do Boeing 737 ucraniano que foi atingido por mísseis depois de decolar em Teerã na semana passada, o que resultou na morte de todos os 176 passageiros a bordo. A derrubada do avião ocorreu horas depois de o país persa ter atacado bases no Iraque utilizadas por tropas americanas, em retaliação ao assassinato do general Qassim Suleimani, que comandava as forças Quds, da Guarda Revolucionária do Irã.

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