MINAS GERAIS

Remédio manipulado mata oito pessoas

Secretaria de Saúde afirma que lote do medicamento Secnidazol 500 mg produzido pela farmácia Fórmula Pharma, em Teófilo Otoni, teria ocasionado as mortes

Diogo Menezes
Diogo Menezes
Publicado em 13/12/2011 às 8:36
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BELO HORIZONTE - A ingestão de um medicamento manipulado pode ter causado a morte de pelo menos oito pessoas em quatro cidades mineiras da região de Teófilo Otoni (a 446 quilômetros de Belo Horizonte). A última vítima foi a estudante Letícia Lopes dos Santos, 22 anos, que morreu na madrugada de domingo. Dois dias antes, a mãe da jovem, Adélia Lopes da Paixão, 49, já havia morrido. As outras vítimas tinham entre 46 e 87 anos.

A primeira morte ocorreu no dia 20 de novembro, mas a suspeita só apareceu dez dias depois, quando um casal foi internado no Hospital Santa Rosália após ingerir cápsulas de Secnidazol 500 mg produzidas pela farmácia Fórmula Pharma, sediada em Teófilo Otoni. O casal continua no hospital, sem risco de morrer.

As secretarias estadual e municipal de Saúde suspeitam que todos os oito mortos tenham ingerido o medicamento, que é usado para combater parasitas e deve ser vendido sob prescrição médica. Outras 11 pessoas também podem ter usado o mesmo lote do remédio (manipulado no dia 14 de novembro), diz a pasta estadual, com base em documentos encontrados na farmácia.

Entre os sintomas de intoxicação medicamentosa estão hipotensão (queda da pressão arterial), braquicardia (batimento cardíaco reduzido), dor no peito e marcas roxas na pele. Amostras do produto estão sendo analisadas pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, e o resultado deve sair esta semana.

A secretaria investiga se foi usado na fórmula o anti-hipertensivo metaprolol - que pode ter diminuído a pressão de quem ingeriu as cápsulas - ou se ocorreu contaminação cruzada, por outro medicamento manipulado na mesma data.

No início do mês, foi determinado o fechamento da farmácia. Técnicos das secretarias constataram no sábado, porém, que a medida não vinha sendo cumprida. Também descobriram que o Secnidazol era vendido sem atestado e encontraram estoques já manipulados. "Esse tipo de medicamento só deve ser feito por encomenda", disse o subsecretário de Vigilância e Proteção da Saúde em Minas, Carlos Alberto Gomes.

A Secretaria de Saúde do Estado está à procura de 62 cápsulas desaparecidas. Segundo Gomes, elas fazem parte do lote de 180 cápsulas manipuladas em 14 de novembro.

Após o início da investigação epidemiológica, em 1º de dezembro, técnicos da secretaria encontraram 50 cápsulas estocadas no estabelecimento e outras 68 que foram vendidas para clientes que apresentaram receitas médicas encontradas no local. Segundo Gomes, a suspeita é de que a Fórmula Pharma tenha distribuído os medicamentos para serem revendidos em outras farmácias da cidade.

Além das cápsulas, a Secretaria de Saúde do Estado e a Polícia Civil mineira estão à procura do proprietário da farmácia, Ricardo Luiz Portilho, e da farmacêutica Anne Pinheiro Nascimento e Souza.

"Este é um caso de polícia. Qualquer pessoa que tiver contato com qualquer medicamento da Fórmula Pharma deve entregá-lo à secretaria", afirmou o secretário de Saúde de Minas, Antônio Jorge Marques.

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