Vaticano

Papa tem 'indisposição' e cancela missa um dia após evento em que beijou fiéis

Na quarta-feira (26), o Papa encontrou com fiéis numa basílica em Roma, onde prestou solidariedade aos pacientes que contraíram o novo coronavírus

Estadão Conteúdo e Mayra Cavalcanti
Estadão Conteúdo e Mayra Cavalcanti
Publicado em 27/02/2020 às 13:02
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Na quarta-feira (26), o Papa encontrou com fiéis numa basílica em Roma, onde prestou solidariedade aos pacientes que contraíram o novo coronavírus - FOTO: Foto: AFP
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Por conta de uma "leve indisposição", o papa Francisco decidiu cancelar a missa que tinha programado para esta quinta-feira, 27, com clérigos de Roma, segundo fontes oficiais do Vaticano. A decisão do papa vem um dia após encontro com fiéis numa basílica em Roma, onde prestou solidariedade aos pacientes que contraíram o novo coronavírus, que já se espalhou por mais de 30 países. No evento, o papa apertou a mão e beijou o rosto de algumas das mais de 400 pessoas que o assistiam.

Segundo o jornal inglês Daily Mail, o pontífice tossiu e assoou o nariz durante todo o encontro, demonstrando estar com sintomas similares aos da gripe. Ainda de acordo com o jornal, o Vaticano não deu detalhes sobre a natureza da doença do Papa. Até agora, a Itália, onde está localizada a sede da Igreja Católica Romana, confirmou que 528 pessoas contraíram o coronavírus, com 14 mortes registradas.

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Entenda as diferenças entre a gripe e a infecção pelo novo coronavírus

As principais diferenças entre uma gripe comum e o novo coronavírus não estão, necessariamente, nos sintomas, visto que existem muitas semelhanças, como tosse e febre. De acordo com o infectologista Gabriel Serrano, a grande divergência entre as doenças está no fato de que, para a gripe, já existe vacina e boa parte da população está imunizada, o que não acontece com o novo coronavírus. Além disto, é comum que os pacientes infectados pelo COVID-19 apresentem falta de ar ou dificuldade de respirar, sintoma menos comum em gripes.

"O novo coronavírus parece com um resfriado. A questão é que, para a gripe, já existe vacina e imunidade. Não tem imunidade nem vacina para o COVID e mesmo os pacientes assintomáticos podem transmitir. O novo corona é mais grave para idosos, acima dos 70 e 80 anos, ou para os que têm comorbidades, como doenças coronarianas, pulmonares e renais", explica o médico. Segundo ele, as mortes por coronavírus estão associadas à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) ou ao agravamento do quadro, quando a pessoa desenvolve uma infecção bacteriana subsequente à infecção pelo corona.

Sobre os sintomas, o novo coronavírus provoca tosse (geralmente seca), febre baixa (38ºC) e falta de ar. "O ideal é que a pessoa procure um hospital quando estiver com sintomas mais graves, como febre alta e falta de ar, ou seja, quando estiver necessitando de atendimento. Quem tiver suspeita de coronavírus deve entrar em contato com a unidade de saúde e, se for se dirigir ao local, utilizar máscara simples", comenta o médico. Ele acrescenta que esta suspeita existe quando o paciente apresenta os sintomas de uma infecção respiratória e tem vínculo epidemiológico (viajou para países como China, Coreia do Sul e Itália nos últimos 14 dias).

"Os pacientes idosos têm que ter preocupação. Para as outras pessoas, geralmente os sintomas melhoram em uma semana. É importante lembrar que, mesmo se confirmar o caso aqui no Estado, não significa que o vírus vá estar circulando. A maioria dos casos suspeitos não se tratavam de corona, e sim, de infecções comuns", afirma Gabriel Serrano.

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