Centenário: Jornal do Commercio

Sem educação não há futuro

Educação integral se faz por meio do desenvolvimento de competências que combinem aspectos cognitivos e socioemocionais

Maria Luiza Borges
Maria Luiza Borges
Publicado em 03/04/2019 às 0:42
Foto: JC Imagem
Educação integral se faz por meio do desenvolvimento de competências que combinem aspectos cognitivos e socioemocionais - FOTO: Foto: JC Imagem
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Guy Neave, um dos visionários do ensino superior, já dizia que olhar o futuro é uma atividade arriscada, como os profetas e os visionários aprenderam à sua própria custa: se a previsão se referir a um futuro próximo, podemos cair na situação desconfortável de confrontar as nossas visões com uma realidade pouco respeitável; se ela se referir a um futuro remoto, a impaciência natural dos profanos acabará por minar o respeito pelo mais entusiasta dos visionários.

Eu me arriscaria, no entanto, a dizer que sem promover o desenvolvimento pleno das pessoas não vamos ter uma educação capaz de dar conta dos problemas cada vez mais complexos que permeiam a sociedade atual e futura. As descontinuidades tecnológicas serão mais frequentes e dramáticas, e vão exigir pessoas mais aptas a trabalhar num ambiente colaborativo e aberto ao novo.
Vamos precisar promover o potencial pleno das pessoas, em consonância com o que preconiza o artigo 205 da Constituição Federal: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Sem autoconhecimento, colaboração, criatividade, capacidade de resolução de problemas e pensamento crítico, as pessoas não estarão aptas a enfrentar as drásticas mudanças tecnológicas que vão impactar a nossa forma de viver


Estamos falando de uma educação integral que se faz por meio do desenvolvimento de competências que combinem aspectos cognitivos e socioemocionais, tais como autoconhecimento, colaboração, criatividade, resolução de problemas e pensamento crítico, entre outras.

Sem o desenvolvimento de tais competências, as pessoas não estarão aptas a enfrentar as drásticas mudanças tecnológicas que vão impactar, de maneira cada vez mais intensa, a nossa forma de viver, em todas as suas dimensões.

O mundo respira os efeitos da quarta revolução industrial conduzida pela automação dos processos. Segundo a consultoria global McKinsey, seis em cada dez trabalhos podem ter mais de 30% de suas atividades automatizadas. No cenário mais modesto, isso poderá impactar, até 2030, a atividade laboral de 400 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a estimativa é que o efeito da automação atinja cerca de 16 milhões de brasileiros.

Desde 2010, o número de robôs industriais cresce a uma taxa de 9% ao ano. No Brasil, cerca de 12 mil robôs industriais serão comercializados entre 2015 e 2020. O que está em jogo quando se trata de adotar ou não um processo mais agressivo de automação nas fábricas é uma questão de equilíbrio entre custos e competitividade.

Esse novo cenário vai exigir, portanto, um aumento de qualidades humanas. Por isso, a oferta de uma educação integral que seja capaz de desenvolver o potencial pleno das pessoas torna-se condição imperativa para o acesso aos postos de trabalho do futuro. Consequentemente, o papel do professor vai ter de ser ressignificado, incluindo mais formação em serviço e mais prática alinhada à teoria.

E que ele tenha acesso a plataformas adaptativas construídas a partir da inteligência artificial, permitindo-lhe construir trilhas de aprendizado individualizadas para os estudantes, de tal maneira que ele possa saber se seus alunos estão próximos ou não dos objetivos de aprendizagem. Aí, sim, estaremos a caminho de uma educação adequada ao século 21.


* Mozart Neves Ramos é professor e diretor do Instituto Ayrton Senna


Confira o especial sobre o centenário do Jornal do Commercio no link abaixo

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