SAÚDE

Editorial: Saneamento básico para todos parece ter virado miragem no Brasil

Pernambuco e principalmente o Grande Recife têm larga experiência desse atraso civilizatório, que é a falta de saneamento

JC Online
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Publicado em 25/07/2019 às 7:50
Editorial
Foto: Brenda Alcântara/ JC Imagem
Pernambuco e principalmente o Grande Recife têm larga experiência desse atraso civilizatório, que é a falta de saneamento - FOTO: Foto: Brenda Alcântara/ JC Imagem
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O mapa do Brasil em 2019 mostra uma nação onde 35 milhões de pessoas não têm acesso a água tratada e perto de 100 milhões não sabem o que é coleta de esgoto. Por isso existe um Plano Nacional de Saneamento Básico com a meta de garantir água e saneamento para todos em 2033, mas faltam investimentos e o que deveria ser daqui a 14 anos passa a ser uma possibilidade em 2053. Isso é o que se sabe hoje, mas amanhã pode ser pior e há precedentes aqui mesmo em Pernambuco para mostrar que esse é um problema cuja solução parece miragem, não alimenta crença de que um dia poderemos nos comparar com nações civilizadas, isto é, onde saúde pública começa pelo saneamento básico. 

Pernambuco e principalmente o Grande Recife têm larga experiência desse atraso civilizatório. Na capital, essa história começou a ser contada em 25 de setembro de 1858, quando o empreendedor Carlos Luiz Cambronne firmou com o governo da província um contrato para asseio e limpeza da cidade, “um serviço completo de despejo e escoamento das urinas e águas sujas por meio de esgotos e canos correspondentes a cada casa”. No dia 10 de setembro de 1859, o Jornal do Recife noticiava: "Ontem pela manhã fundeou no nosso porto a escuna dinamarquesa Amanda, procedente de Anvers, trazendo a seu bordo grande parte do material necessário e 30 operários belgas para a construção do encanamento das águas pútridas e imundices da cidade, cuja obra é contratador e empreiteiro o sr. Cambronne".

O que isso deveria nos dizer? Que há um século e meio o Recife poderia ter largado na corrida destinada a criar condições sanitárias civilizadas para sua população. Mas esse seria apenas o passo inicial de uma caminhada que ocuparia governantes e o judiciário por uma sequência longa de avanços e recuos. Em maio de 1865, por exemplo, a Assembleia Legislativa Provincial autorizava o presidente da província a rever o contrato celebrado com Carlos Luiz Cambronne, admitindo mudança do sistema do primitivo contrato, com a canalização geral e serviço d´água "como o empregado na cidade de Londres, ou o que for mais conforme aos melhoramentos e aperfeiçoamentos conhecidos na Europa".

Ranking

De avanços e recuos se fez essa história no Grande Recife e o que temos hoje está anos-luz distante do que se imaginava em meados do século 19. De acordo com o ranking produzido pelo Instituto Trata Brasil - por exemplo - Jaboatão dos Guararapes, o segundo município mais populoso de Pernambuco, está entre os 10 piores municípios do Brasil em saneamento básico. Se essa endemia em matéria de saneamento é tão visível no Recife e nas cidades metropolitanas, o que dizer do interior, onde o processo histórico de mudanças e melhorias é ainda mais lento? 

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