JUROS

Editorial: Promessa de crédito e ânimo com redução da Selic

Com a redução pelo Banco Centro, o País retoma o caminho do estímulo ao consumo, ao investimento na produção e ao crescimento da economia

JC Online
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Publicado em 02/08/2019 às 7:57
Editorial
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Com a redução pelo Banco Centro, o País retoma o caminho do estímulo ao consumo, ao investimento na produção e ao crescimento da economia - FOTO: Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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A primeira redução em quase um ano e meio da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central vem retomar o caminho do estímulo ao consumo, ao investimento na produção e ao crescimento da economia. A diminuição de apenas meio ponto percentual, jogando a taxa para 6% ao ano, gera um efeito cascata positivo de baixa dos juros praticados pelos bancos públicos e privados. Com isso, o custo dos financiamentos cai, ampliando a oportunidade de crédito para pessoa física e empresas. Uma ótima notícia para o País, visando a recuperação da atividade estagnada, que por si só tem o potencial de levantar o ânimo do mercado, ao lado da perspectiva de aprovação da reforma da Previdência – e à parte da autossabotagem de um governo que não se cansa de criar polêmicas, agendas negativas e crises na própria imagem. 

Com a inflação controlada e abaixo da meta, os riscos são menores. Melhor assim. Em 2015, a Selic estava em 14%, patamar que refletia o medo inflacionário. Juros baixos são comuns nas economias estáveis, sobretudo nos países ricos: nos Estados Unidos, a taxa básica se encontra em 2%. Por aqui, a economia em letargia é o principal motivo para a redução, uma vez que se espera, com a providência, que o aumento do crédito desperte a atividade econômica. As condições estruturais favoráveis à queda dos juros, infelizmente, não vêm acompanhadas de um crescimento sustentado. Ao menos, como se tem dito, não resulta de artifícios como congelamento de preços ou câmbio tabelado. A expectativa é que se transforme em injeção de recursos, que sejam traduzidos em empregos, produtos e fluxos de negócios capazes de contribuir com a reversão das previsões pessimistas de que estaríamos entrando novamente numa estação recessiva. 

O Banco Central dá sinais de que a tendência declinante dos juros continua até dezembro, talvez para o nível de 5% ao ano. Com isso, diante da inflação prevista, o juro real básico giraria em torno de 1%. Desenhando um cenário diferente do que estão acostumados investidores, empresários e até as instituições financeiras. A novidade pode fazer com que os investimentos no Brasil se assemelhem aos no exterior, em termos de risco e recompensa. Por outro lado, eleva a chance de se apostar nos setores produtivos, e no fomento ao empreendedorismo. Quanto maiores os juros, menores os atrativos para negócios e empresas nascentes ou em estágio de consolidação. Com juros mais baixos, essa atratividade, teoricamente, aumenta. 

Construção

Um dos chamados termômetros da economia, o setor da construção reagiu bem ao anúncio da redução da Selic. Pois a retomada do desenvolvimento, para o setor imobiliário e outros ramos da construção, depende da adoção de medidas que incentivem a geração de empregos e a produção. A baixa dos juros é coerente com uma série de ações que o governo federal vem buscando implementar, na direção da modernização e desburocratização da economia – pressupostos sem os quais a recessão continuará a nos rondar.

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