INVESTIMENTOS

Editorial: É preciso investir na infraestrutura do Brasil

Em um patamar que não passou de 2,5% em 15 anos, o investimento em infraestrutura foi de 1,7% desde 2016

Marcelo Aprigio
Marcelo Aprigio
Publicado em 26/08/2019 às 7:30
Editorial
Foto: Foto: Diego Nigro/Acervo JC Imagem
Em um patamar que não passou de 2,5% em 15 anos, o investimento em infraestrutura foi de 1,7% desde 2016 - Foto: Foto: Diego Nigro/Acervo JC Imagem
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Quando a economia vai bem, o nível de arrecadação permite que, além de honrar compromissos básicos, os governos tenham capacidade para investir, melhorando as condições para o ciclo de crescimento prosseguir e até se expandir. Quando a economia vai mal, a baixa arrecadação dificulta o cumprimento do orçamento, e os projetos estruturadores são logo sacrificados. Nas últimas décadas, o Brasil tem investido menos em infraestrutura do que deveria, levando-se em conta as demandas geradas pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). E mesmo o aumento de poder aquisitivo de parcela expressiva da população pode ter sido tragado pelo déficit estrutural que reprime a economia como um todo, limita os ganhos da expansão e paralisa o potencial humano no desemprego alto, combinado com a atividade econômica de poucas alternativas.

O que já estava aquém das necessidades nacionais piorou recentemente: em um patamar que não passou de 2,5% em 15 anos, o investimento em infraestrutura foi de 1,7% desde 2016. De acordo com a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), o percentual teria que ser de 4,3% ao longo de uma década, para superar os gargalos que travam o País. Isso significaria um aporte de R$ 300 bilhões na economia. Como chegar perto desse montante? O fórum regional da entidade reuniu governadores e vice-governadores do Nordeste, na última quinta-feira, em Teresina (PI) com o objetivo de formular estratégias para reverter a seta, e sair do atoleiro do déficit.

O cálculo do governo federal impõe ainda mais planejamento ao desafio da infraestrutura. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento de Infraestrutura do Ministério da Economia, o tamanho da demanda no setor é de R$ 10 trilhões até 2040, ou seja, nas próximas duas décadas. De fato, como afirmou o secretário Diogo Macordi, a existência do déficit abre um horizonte de oportunidades, no qual ele apontou o programa de concessões à iniciativa privada, divulgado na semana passada pelo governo Jair Bolsonaro. No mesmo tom, o governador do Piauí, Wellington Dias, ressaltou os potenciais nordestinos nas áreas de energia renovável, mineração e logística, utilizando a expressão “mapa de oportunidades”.

NORDESTE

Para o Nordeste e as demais regiões, no entanto, o mapa da infraestrutura é, atualmente, um diagrama de problemas e obras inacabadas. A começar da logística – portos, aeroportos e ferrovias – passando pela energia, água e saneamento, há muito a ser concluído antes de se começar a pensar em projetos novos.

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