Sesquicentenário

Editorial: Prestes a completar 150 anos, o Mercado de São José faz história

Novos caminhos tiveram que ser criados para fazer do Mercado de São José, o mais antigo edifício em ferro existente no Brasil, o que ele é hoje

Marcelo Aprigio
Marcelo Aprigio
Publicado em 30/08/2019 às 7:30
Editorial
Foto: Filipe Jordão/JC Imagem
Novos caminhos tiveram que ser criados para fazer do Mercado de São José, o mais antigo edifício em ferro existente no Brasil, o que ele é hoje - FOTO: Foto: Filipe Jordão/JC Imagem
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Falta muito pouco para o Mercado de São José virar palco de um acontecimento histórico, desses que costumam ser festejados em qualquer parte do mundo: o sesquicentenário. Significa dizer que um dos pontos mais típicos, exóticos, histórica e socialmente representativos da capital pernambucana, chega a uma idade que se confunde com a memória da cidade, desde quando sua população mal passava dos 90 mil habitantes e todo caminho dava na venda – como dizia, e diz, o provérbio português. 

Claro está que perto de 150 anos depois (data que será comemorada em 2025) novos caminhos tiveram que ser criados para fazer do Mercado de São José o que ele é hoje: o mais antigo edifício em ferro existente no Brasil, marco de um sítio histórico do Recife ao lado ao lado da Basílica de Nossa Senhora da Penha. Com uma população 18 vezes maior do que em setembro de 1875 quando foi inaugurado, a Prefeitura do Recife inaugura “puxadas” em um anexo que deverá permitir mais e melhor exposição de produtos em um espaço que mostra o que Pernambuco – e não apenas a capital – tem de melhor em mercado público.

Tamanha é a importância histórica, social, econômica e turística das melhorias no prédio anexo do mercado que melhor será realçar seus benefícios para comerciantes e consumidores do que ficar rebatendo no seu lado menos atraente, como demora na inauguração ou equipamentos precisando ainda de melhorias. Evidente que sempre é bom contar com o melhor mas é preciso ver também que o melhor no caso do Mercado de São José será sempre cada pedra de melhoria que se faça na sua história, como agora ao beneficiar 86 vendedores de ervas medicinais, especiarias, temperos, grãos e cereais que vinham trabalhando nas ruas em torno do mercado.

Riqueza cultural e popular

O que isso significa como riqueza cultural e popular vem sendo cantado há um bom tempo com os versos de Onildo Barbosa, voz e ritmo do pernambucano do século 20, Luiz Gonzaga, em sua Feira de Caruaru. Salvaguardadas as peculiaridades de uma e outra, pode-se até cantar a Feira do Mercado de São José.

Por isso, neste setembro de aniversário desse mercado do velho bairro, será bom se dar atenção à sua riqueza cultural e à importância de a população e visitantes conquistarem mais espaços, melhores condições de circulação e mais produtos raros disponíveis. Como diz Tatiane Santos, que há 13 anos trabalha com o pai em uma barraca de ervas medicinais, “lá – no anexo – estaremos todos juntos e a circulação na rua ficará melhor para pedestres e veículos”.

Para Maria da Conceição – que guarda a memória do incêndio que atingiu o Mercado de São José em 1989 – “a abertura do anexo é um sonho realizado”. Um sonho que pode ser ampliado pela Prefeitura e pelo Estado com a transformação desse espaço urbano em uma marca cultural, artística e turística do Recife e de Pernambuco.

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