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Editorial: Brasileira roubou a cena na premiação da FIFA

Silvia Grecco, a torcedora do ano, e seu filho Nickollas, de 12 anos, deficiente visual, que acompanha os jogos do seu time, o Palmeiras, com os olhos da mãe

JC Online
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Publicado em 25/09/2019 às 9:00
Foto: AFP
Silvia Grecco, a torcedora do ano, e seu filho Nickollas, de 12 anos, deficiente visual, que acompanha os jogos do seu time, o Palmeiras, com os olhos da mãe - FOTO: Foto: AFP
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A magia da Internet permite a qualquer pessoa, em qualquer parte, assistir a uma das maiores festas dos esportes – a eleição do melhor jogador do mundo –, que desta vez perdeu em importância para a torcedora do ano. Quem acessa o site FIFA Fan Award 2019 pode ver como cenário o magnifico Teatro Scala, de Milão, e como figurantes – aplaudidos de pé – Silvia Grecco, a torcedora do ano, e seu filho Nickollas, de 12 anos, deficiente visual, que acompanha os jogos do seu time, o Palmeiras, com os olhos da mãe. Silvia senta no estádio ao lado do filho e descreve todas as jogadas e a reação dele é o seu grande troféu: “Ele relaxa, levanta-se, aplaude, pula, se torna outra criança”.

Essa mãe-maravilha venceu o prêmio em disputa com a torcida da Holanda – apesar de ter sido derrotada pela equipe dos Estados Unidos na final do mundial feminino na França, os torcedores holandeses conquistaram admiração geral pela demonstração de apoio durante o torneio – e com o uruguaio Justo Sánchez, torcedor do Cerro que passou a ir aos jogos do rival Rampla Juniors em homenagem ao filho morto em um acidente de trânsito. Justo agora assiste aos jogos do time preferido do filho com uma faixa onde está escrito: “Nico, presente para sempre”. A brasileira causou uma grande emoção na plateia já na abertura do pronunciamento que fez ao compartilhar o prêmio de torcedora do ano com Justo Sanchez, que – disse Sílvia – “também tem uma linda história de amor com o filho”.

Dirigindo-se a Nickollas, Sílvia Grecco fez o que costuma fazer nos estádios, descrevendo o ambiente: “Aqui na frente estão muitas pessoas, muitos jogadores, muitos ídolos. Estamos aqui representando nosso time, Palmeiras, e todos os torcedores do Brasil e do mundo, todos aqueles que torcem pelas pessoas com deficiência. O futebol pode transformar a vida das pessoas”. E assim ela fez as pessoas aplaudirem de pé, em um clima de muita emoção. A dupla foi descoberta em setembro do ano passado pela equipe da reportagem da TV Globo durante partida entre Palmeiras e Corinthians no estádio Allianz Parque, pelo Campeonato Brasileiro.

Esse é um exemplo extraordinário de superação de mãe e filho sobre uma limitação extrema, a cegueira e todos os transtornos inevitáveis para quem dela padece. Um detalhe curioso fica por conta do ídolo português Cristiano Ronaldo, cuja ausência foi destacada na cerimônia. Ele postou uma mensagem onde diz que “paciência e persistência são duas características que diferenciam o profissional do amador”, que “tudo que é grande hoje começou pequeno”, concluindo: “Você não pode fazer tudo, mas faça tudo o que puder para tornar seus sonhos realidade e lembre-se de que depois da noite vem sempre o amanhecer”. Claro, a mensagem do supercraque português não foi dirigida a Sílvia nem a Nickollas, mas bem que podia ter sido.

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