urbanismo

Editorial: SJCC fomenta debate sobre moradia digna

Dentro do projeto Soluções Urbanas, o objetivo do SJCC foi trazer à luz a realidade, sem dourar a pílula da urgência que o problema requer

JC Online
JC Online
Publicado em 27/09/2019 às 8:10
Foto: Luisi Marques/JC Imagem
Dentro do projeto Soluções Urbanas, o objetivo do SJCC foi trazer à luz a realidade, sem dourar a pílula da urgência que o problema requer - FOTO: Foto: Luisi Marques/JC Imagem
Leitura:

Para que a frustração popular e as propostas paliativas não continuem adiando o enfrentamento do problema da falta de habitação em Pernambuco, o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC) promoveu, na última quarta-feira (25), um evento de alto nível sobre o assunto. O debate foi iniciado no domingo com uma série de reportagens que serviu de base para o envolvimento dos mais diversos atores, em todas as plataformas de comunicação do SJCC, incluindo o JC, a Rádio Jornal, a TV Jornal e o portal NE10.

O diagnóstico preciso feito pelas matérias enfocou a questão na Região Metropolitana do Recife, onde o aumento de moradias irregulares e em áreas de risco constitui desafio cada vez maior à sociedade e para os governantes. Dentro do projeto Soluções Urbanas, o objetivo do SJCC foi trazer à luz a realidade, sem dourar a pílula da urgência que o problema requer. Mas sobretudo, buscar a mobilização em torno de casos inspiradores, em que a transformação de realidades similares é a prova de que é possível fazer, com a decisão política e o planejamento adequados.

O papel decisivo do planejamento, por sinal, foi mencionado pelo urbanista Marcelo Ignatios, da Prefeitura de São Paulo. Ele afirmou que os instrumentos urbanísticos são ferramentas essenciais para o planejamento de uma cidade inclusiva. Sem dúvida, o alargamento da inclusão passa pela adoção de medidas que aliem planejamento e controle urbano. O déficit habitacional nos grandes centros em que as populações procuram a proximidade com o trabalho e a oferta de serviços, tem gerado cenários degradados como se vê na capital pernambucana, seja nas palafitas das margens do Capibaribe, ou nas calçadas ocupadas pelos moradores de rua. No Grande Recife está 50% do déficit habitacional do Estado, o que significa a ausência de 130 mil residências.
A pluralidade de vozes marcou o evento, realizado no auditório do SJCC, no Recife.

A complexidade do tema emergiu como consenso, apontando, por outro lado, a possibilidade de múltiplas soluções. As experiências bem-sucedidas mostradas podem ser aproveitadas em Pernambuco, mesmo que os modelos urbanísticos e a escala se mostrem diferentes. O importante é a abertura do poder público para o diálogo com as comunidades diretamente interessadas, bem como com os empresários da construção civil, segmento indispensável para a abordagem efetiva do problema.

A habitação precária e seu déficit na Região Metropolitana do Recife foram objeto do primeiro de uma série de seminários que o SJCC irá realizar até o próximo ano, abordando o desenvolvimento da metrópole e a qualidade de vida da população. A iniciativa também se dirige à integração da gestão metropolitana, pois, sem o planejamento conjunto e a atuação sintonizada dos gestores das cidades, as questões metropolitanas tendem a continuar sem solução à vista. Acreditamos que a apresentação de soluções urbanas compatíveis com os nossos problemas pode ser um caminho na melhor direção.

Últimas notícias