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Editorial: Turismo em Pernambuco pode muito mais

Quem conhece Pernambuco sabe que temos muito mais que uma ou duas praias. São muitas, incontáveis, com 187 quilômetros

Marcelo Aprigio
Marcelo Aprigio
Publicado em 01/10/2019 às 8:59
Editorial
Foto: Leo Motta/JC Imagem
Quem conhece Pernambuco sabe que temos muito mais que uma ou duas praias. São muitas, incontáveis, com 187 quilômetros - FOTO: Foto: Leo Motta/JC Imagem
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Mais de 17 milhões de pesquisas sobre as atrações de Pernambuco encontram uma página – das muitas disponíveis na Internet – com 4 fotos: duas de Fernando de Noronha, uma de Boa Viagem e Porto de Galinhas. Entretanto, quem conhece Pernambuco sabe que temos muito mais que uma ou duas praias. São muitas, incontáveis, com 187 quilômetros. Algumas, naturalmente, se sobressaem porque têm mais infraestrutura e mais apelo turístico e nisso consiste a diferença, porque há atrações com bom acesso rodoviário, pontos de acolhimento dotados das exigências básicas para atender às necessidades dos moradores locais e visitantes, e há atrações potenciais sem nada disso.

Exige-se, pois, uma combinação de fatores para incluir trechos desses 187 quilômetros de litoral entre os “locais paradisíacos”, como são apresentados em folhetos e em sites voltados para turistas, não apenas os que vêm de países frios, de águas geladas e raros nichos de praias, mas, também, de outros Estados, principalmente do Sul e Sudeste, onde há praias, sim, mas dificilmente como as nordestinas com suas águas mornas e paisagens extraordinárias. Quando falta esse diferencial, temos que contabilizar os custos negativos para a população local e os prejuízos em relação à indústria do turismo. O repórter Felipe Vieira foi atrás desses caminhos, sem a indignação dos que vivem em praias completamente desprovidas de presença governamental e, também, sem o fascínio de turismos mais, ou menos, exigentes. Foi para ver, constatar e ouvir.

Beleza e abandono

Em alguns pontos, o repórter viu e constatou o pior que se pode imaginar quando se trata de apelo turístico em um lugar dotado de atrações naturais mas dependente, como em qualquer parte, de um lugar para ficar, um hotel. O título dado por Felipe Vieira a um detalhe de sua caminhada turísticojornalística diz tudo: “Antigo símbolo agoniza na ilha”. E acrescenta uma pergunta a quem de direito: “O que pode ser feito daquilo que resta do antigo Hotel Caravelas, em Itamaracá?”. A informação que segue é quase um libelo acusatório: o hotel já foi símbolo dos anos dourados da ilha e há muito é apenas um dos aspectos mais visíveis da derrocada da atividade turística.

Além da prova visual dos problemas, o repórter identifica áreas mais críticas, como Ponta de Pedras, onde grava “o contraste entre a exuberância da natureza e a falência estrutural” como possivelmente o maior do litoral. Ouvir moradores das praias exuberantes nos folhetos e sites turísticos é a comprovação de que as informações divulgadas estão precisando de um Procon do turismo, porque o testemunho diário, direto, dos moradores das áreas não comprova a propaganda. Muito menos depois de ouvido o professor Sérgio Leal, coordenador do curso de Turismo da UFPE, que dá à reportagem a fundamentação de quem entende muito do assunto, para se ter uma paisagem mais real da atividade turística no litoral de Pernambuco.

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