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Editorial: Suape desponta como oportunidade para impulsionar Nordeste

Suape deve se desprender do cais do Estado, sem perder a função estratégica para a economia de Pernambuco

Elton Ponce
Elton Ponce
Publicado em 02/10/2019 às 8:04
Editorial
Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem
Suape deve se desprender do cais do Estado, sem perder a função estratégica para a economia de Pernambuco - FOTO: Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem
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Na perspectiva de abertura da economia brasileira para o mundo, talvez não haja setor que demande tantos investimentos quanto o de infraestrutura logística. E no âmbito do desenvolvimento da região Nordeste, sempre vista com mais potencial e menor riqueza que o restante do País, o Complexo Portuário e Industrial de Suape desponta como oportunidade pronta para o impulsionamento regional, ampliando o papel de Pernambuco como polo de distribuição de bens e serviços.

Reportagem especial de Adriana Guarda no último domingo mostra que Suape tem no horizonte o desafio da modernização, em um mercado altamente competitivo. Para ganhar relevância global e se destacar entre os mais movimentados do Brasil, será preciso se preparar com profissionalismo para atuar num cenário em que proliferam os portos privados e a dimensão regional. Idealizado e implantado ao longo de décadas graças à visão de vários governadores em sequência, e o apoio do governo federal em momentos determinantes, Suape deve se desprender do cais do Estado, sem perder a função estratégica para a economia de Pernambuco.

As investigações na Petrobras a partir da Operação Lava Jato, a paralisação de negócios tidos como redentores há poucos anos, como a indústria de navios, e as dificuldades para atrair investimentos, têm feito com que Suape venha perdendo terreno, sobretudo para Pecém (CE). A vantagem de Pecém é justamente o fato de ostentar mais liberdade para os investidores, em se tratando de empreendimento de uso privado. Por causa disso, o presidente Suape, Leonardo Cerquinho, busca promover o reerguimento com a virada que pode ser proporcionada com uma parceria privada. Além de ser um reconhecimento honesto dos limites de planejamento, ação e aportes de recursos do governo estadual, a intenção declarada não visa a privatização, a exemplo do que o governo Jair Bolsonaro pretende em outros portos. Mas a diferença é sutil. “O que queremos é fazer uma concessão geral do porto a um parceiro privado, mas com regras, sem perder o controle de alguns processos importantes”, afirmou o presidente de Suape, estimando que isso aconteça até 2022.

A crise das empresas que se instalaram no complexo retrata uma situação que exige do gestor público alternativas rápidas para frear a debacle. A criação do território estratégico em municípios vizinhos, para dar conta da demanda de interessados, parece uma realidade distante. Hoje há por lá cerca de uma centena de empresas, com investimentos privados da ordem de R$ 50 bilhões. Para que os negócios existentes não sigam o caminho de outros que tiveram que parar, e Suape seja mais atrativo para os investidores, um reposicionamento no mercado, reduzindo a dependência estatal, é uma decisão política que não pode tardar. A concentração do poder burocrático atrapalha a evolução de um dos mais claros focos de nosso desenvolvimento. Conquista de várias gerações de pernambucanos, Suape aguarda uma nova fase para prosperar.

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