ECONOMIA

Editorial: Retomar o crescimento da economia é um grande desafio

Há fortes rumores de recessão mundial se avizinhando, justamente na hora em que o Brasil precisa de impulso para resgatar a produção

Marcelo Aprigio
Marcelo Aprigio
Publicado em 04/10/2019 às 8:27
Editorial
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Há fortes rumores de recessão mundial se avizinhando, justamente na hora em que o Brasil precisa de impulso para resgatar a produção - FOTO: Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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O crescimento da produção industrial em agosto foi digno de nota, embora não tenha chegado a 1%. Afinal, quebrou uma tendência declinante de três quedas consecutivas, que já ligava o alerta do retorno da recessão e suas implicações não apenas econômicas, mas sociais e políticas. Sabe-se o preço que uma economia vacilante cobra da população – basta conferir os efeitos da alta taxa de desemprego e desocupação. E a pressão sobre os governantes. O presidente Jair Bolsonaro e sua equipe, em especial a parte dela comandada por Paulo Guedes, contavam com o desempenho de recuperação no primeiro ano do mandato, para acertar o planejamento de uma retomada da atividade produtiva e de maior nível de consumo a partir do ano que vem.

O desafio é grande. Há fortes rumores de recessão mundial se avizinhando, justamente na hora em que o Brasil precisa de impulso para resgatar a produção e os postos de trabalho perdidos. Se os maiores atores da praça global, como os Estados Unidos e a China, continuarem dando sinais de desaceleração, as condições externas para a recuperação brasileira esperada para os próximos anos podem ficar comprometidas. Daí a urgência da realização de reformas estruturantes, como a da previdência e a tributária, para ampliar a capacidade de investimento e a competitividade dos diversos setores da indústria nacional. Sem as reformas, o desafio pode se tornar ainda mais difícil – esticando os problemas que já se põem no presente, de forma cumulativa, exigindo respostas rápidas do poder público e resiliência redobrada da iniciativa privada.

A queda na produção industrial brasileira em 2019 está longe de ser revertida com a celebração merecida do melhor mês de agosto desde 2014. Além disso, o aumento de produção se deu em poucas atividades, segundo o IBGE. A consolidação de uma trajetória de retomada continua dependendo de ambiente de negócios mais propício ao consumo e aos investimentos. Enquanto as reformas esperam em acaloradas discussões no Congresso, a economia segue gelada do lado de fora. Levantamento da BlueLine Asset, publicado no JC dessa quinta, aponta que no período de 2014 para cá, os países emergentes – fora a China – reportaram um crescimento industrial da ordem de 8%. Em comparação, na América Latina, tendo o Brasil como carro-chefe, e a Argentina em mergulho no abismo, o desempenho foi negativo em 4% nesses cinco anos. Vale anotar que o tamanho da crise no continente se deve, em parte, à letargia verde-amarela, em virtude do peso relativo da nossa economia na região.

Ranking

A indústria brasileira ainda está em nona posição no ranking das nações industrializadas, figurando entre as dez maiores do planeta. Mas o tamanho pode influenciar nas dificuldades para sair do atoleiro. A conclusão das reformas é apenas o primeiro passo na direção correta da modernização, da desburocratização e da liberalização, que demanda foco e aprofundamento para que o caminho da recuperação não seja tão longo e penoso.

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