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Opinião: Nem todo homenageante merece irmã Dulce

Para prestigiar a canonização da beata conhecida como 'Dulce dos pobres', parlamentares brasileiros irão a Roma com tudo pago pelo contribuinte

Marcelo Aprigio
Marcelo Aprigio
Publicado em 08/10/2019 às 10:47
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Para prestigiar a canonização da beata conhecida como 'Dulce dos pobres', parlamentares brasileiros irão a Roma com tudo pago pelo contribuinte - FOTO: Foto: Arquivo/CORREIO
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Entre as muitas histórias que se conhece sobre Irmã Dulce, a ser canonizada, no Vaticano, no próximo domingo, uma é que ela se sacrificava todas as noites dormindo sentada em uma cadeira, por causa de uma promessa. Sempre que alguém descobria seu fardo, querendo aliviar suas dores, lhe doava uma cama. Quando o doador ia visitá-la novamente, descobri-a dormindo novamente na cadeira. Irmã Dulce se referia ao local em que dormia como “cadeira missionária”. Dizia que sempre que alguém tinha pena dela por causa da cadeira, um pobre ganhava uma cama. Ela permanecia dormindo sentada e não ficava com o que recebia, repassava aos necessitados. Descansava quatro horas por noite e reclamava que gostaria de dormir menos pra trabalhar mais.

AVIÕES DA FAB

Esta semana, para prestigiar a canonização dela, parlamentares brasileiros irão a Roma, em três aviões da FAB, com salários pagos pelo contribuinte, hospedagem paga pelo contribuinte e até farão passeios, na segunda-feira, conhecendo alguns pontos turísticos, por conta do contribuinte. Eles não devem trabalhar no início da próxima semana e votações importantes podem atrasar por isso.
A conclusão é que Irmã Dulce merece todas as homenagens, mas, por enquanto, nem todo homenageante merece Irmã Dulce.

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