DESIGUALDADE

Editorial: No Brasil, ricos ficam mais ricos e pobres mais pobres

A distância em termos financeiros é grande: de cerca de R$ 27 mil no topo da pirâmide, para R$ 820 na base

Marcelo Aprigio
Marcelo Aprigio
Publicado em 21/10/2019 às 7:28
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Foto: Arquivo/Agência Brasil
A distância em termos financeiros é grande: de cerca de R$ 27 mil no topo da pirâmide, para R$ 820 na base - Foto: Arquivo/Agência Brasil
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A concentração de renda no Brasil persiste em alto patamar, enquanto a maioria da população não se livra de problemas históricos de carência, maus serviços prestados pelo Estado e falta de oportunidades. Novos dados a respeito dessa disparidade apontam que a pequena fatia de 1% mais rica detém quase 34 vezes a renda de metade dos brasileiros. A distância configura o abismo social que separa os mais bem remunerados de uma legião que demanda serviços dignos para a melhoria da qualidade de vida. Um abismo criado e mantido há muitos anos, consequência ainda da má distribuição de renda quando o País mais se desenvolveu, durante décadas de crescimento destacado no mundo, comparável à China. Isso se deu no século passado, até os anos 1980. De lá para cá, após a década perdida na economia – mas compensada pela distensão política que resultou no fim do regime militar e na redemocratização – o ritmo do crescimento diminuiu. E foi atrapalhado por períodos de recessão e estagnação, como o que atravessamos agora.

A distância em termos financeiros é grande: de cerca de R$ 27 mil no topo da pirâmide, para R$ 820 na base. Os valores são referentes ao ano passado e integram a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad Contínua) do IBGE. Trata-se do maior distanciamento desde 2012. Na visão da gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira, a explicação mora na estação recessiva dos últimos anos, que penalizou sobretudo os trabalhadores de carteira assinada, aumentando o desemprego e corroendo a renda das famílias. 

Vale notar que a crise não atingiu a elite como foi sentida pela maioria. Entre 2017 e 2018, os mais ricos ganharam mais, e os mais pobres perderam o tosco poder aquisitivo que possuíam. Além disso, os 10% que ganharam mais concentraram 43% da renda, ao passo que os 10% que ganharam menos ficaram com menos de 1% no ano passado. Outro dado importante para o quadro de nossa desigualdade contínua é que ela se manifesta também no desequilíbrio regional. O Sudeste, com apenas quatro estados da federação – sendo a mais populosa região, mas com 40% do total de habitantes – reúne cifra de rendimentos maior do que a soma de todas as demais regiões.

DESAFIO

O desafio é voltar a crescer, desta vez calibrando o crescimento diante da patente condição de continuidade do drama social detectada ano após ano pelo IBGE. Tudo que formou uma nação desigual, bem como os fatores que têm permitido a permanência do fosso, precisam ser analisados, pois o futuro do Brasil passa pela redução das desigualdades.

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