POPULAÇÃO SEM TRANSPORTE

Editorial: Quantidade de quebras do metrô do Recife é simplesmente inacreditável

A CBTU não divulgou quantas paralisações houve neste ano, mas há registros extraoficiais de mais de 80

JC Online
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Publicado em 11/11/2019 às 7:46
Editorial
Foto: Tião Siqueira/JC Imagem
A CBTU não divulgou quantas paralisações houve neste ano, mas há registros extraoficiais de mais de 80 - FOTO: Foto: Tião Siqueira/JC Imagem
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Quebrar, qualquer sistema mecânico está sujeito a quebrar, assim como a máquina humana pode parar pela sua natureza falível. Mas também é certo que para todo sistema mecânico, operacional, há de ser prevista uma manutenção, assim como a atenção preventiva deve cuidar da saúde das pessoas. Daí não se entende que “mais uma vez” usuários do metrô fiquem sem transporte, sobretudo nas circunstâncias descritas pela repórter Mayra Cavalcanti: “Quatro dias depois de mais um aumento no valor da passagem do metrô, a Linha Centro amanheceu sem funcionar devido ao rompimento de um cabo de alimentação de energia, entre as Estações Recife e Joana Bezerra”.

Deve ser um truísmo o entendimento de que no preço da passagem de um transporte coletivo esteja contida a parte destinada à manutenção dos equipamentos. Como se explicar, então, que quatro dias depois de um aumento no valor da passagem uma linha do metrô deixe de funcionar? Por incúria? Incompetência? Desprezo para com as necessidades da população? Melhor dizendo: para com o direito da população? O mais incrível nesse é um dos detalhes do levantamento feito pela repórter: A CBTU não divulgou quantas paralisações houve neste ano mas há registros extraoficiais de mais de 80.

Isso é simplesmente inacreditável: uma entidade pública, mantida pelo dinheiro dos contribuintes, do povo, pois, pelo tributo ou pelo custo da passagem, desconhecer o lado mais grave do sistema que lhe dá existência, o transporte da população. A reação do outro lado da linha, de uma usuária, a empregada doméstica Ana Cristina, conforme registro da reportagem: “Quando o metrô quebra é esta situação. E a passagem só aumenta e a gente não pode fazer nada porque depende deste transporte”.

As explicações técnicas são o que são: relatos de rompimento de cabos de eletricidade, argumentos que deveriam ser vistos e encarados como tão prosaicos que não deveriam constar das explicações oficiais, porque não se trata de um serviço público trivial, burocrático, que pode ser interrompido a qualquer instante sem traumas, sem graves consequências na vida de milhares de pessoas. O transporte público, é preciso que se insista, de tão importante está associado ao funcionamento, ou não, do sistema.

Falência do sistema

Quando o povo fica sem mobilidade, sem condição de atender às mais elementares necessidades, tem-se a falência do sistema que explica a alternância dos poderes, que alimenta o discurso político e eleitoral, feito quase sempre sobre a promessa de se cumprir as obrigações que a outra parte não teve capacidade de cumprir.

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