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PDT de Pernambuco dividido na eleição presidencial

O deputado federal Paulo Rubem é favorável ao apoio a Dilma, mas o grupo de José Queiroz, ex-presidente estadual da legenda, prefere caminhar ao lado de Aécio

Mariana Araújo
Mariana Araújo
Publicado em 11/10/2014 às 16:24
Foto: Helia Scheppa/JC Imagem
O deputado federal Paulo Rubem é favorável ao apoio a Dilma, mas o grupo de José Queiroz, ex-presidente estadual da legenda, prefere caminhar ao lado de Aécio - FOTO: Foto: Helia Scheppa/JC Imagem
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Apesar de ter oficialmente apoiado a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno, o PDT segue dividido em Pernambuco na segunda etapa da eleição presidencial. Voz isolada no partido que defendeu a aliança estadual com o PTB, o deputado federal Paulo Rubem, que concorreu como vice de Armando Monteiro, segue em defesa da petista. Mas o grupo de José Queiroz, ex-presidente estadual da legenda, prefere caminhar ao lado de Aécio Neves (PSDB), seguindo a linha da Frente Popular. Os aliados do prefeito de Caruaru também apoiaram o PSB no primeiro turno nas eleições estaduais.

José Queiroz precisa resolver um problema dentro de casa. Seu filho Wolney Queiroz (PDT), que foi reeleito deputado federal, já afirmou que irá apoiar Dilma no segundo turno. Em uma entrevista a uma rádio de Caruaru, o parlamentar afirmou que apoiou Paulo Câmara (PSB) nas eleições estaduais por respeito a Eduardo Campos, ex-governador falecido em agosto em um acidente aéreo, mas que neste segundo turno estaria ao lado de Dilma. De acordo com Wolney, os recursos enviados pelo governo federal pesaram no apoio à petista. Internamente, o grupo político de Queiroz trabalha para reverter o posicionamento de Wolney.

O PDT sofreu uma intervenção da direção nacional para promover o apoio ao PTB em Pernambuco. No limite das convenções estaduais, o presidente nacional da legenda Carlos Lupi veio ao Recife e destituiu a diretoria da legenda. Assumiu a presidência estadual do partido e definiu que Paulo Rubem seria o aliado de Armando Monteiro na disputa estadual. A diretoria provisória tem prazo de validade: 29 de novembro. A escolha de novos líderes do partido será feita pelo próprio Lupi, que pretende tratar do assunto após o segundo turno. Até lá, o partido segue oficialmente como está, aliado do PT.

Após o pleito, essa posição poderá ser alterada. “Vamos ter que conversar com Queiroz, com os deputados estaduais eleitos e com Paulo Rubem”, afirmou Lupi em entrevista por telefone. Sobre os dissidentes, o presidente do PDT explicou que cabem sanções que vão desde advertências até a expulsão do partido.

Ex-presidente estadual da legenda por cerca de 20 anos, José Queiroz não pretende mais comandar o partido em Pernambuco. Mas isso não significa que estará longe das rédeas. Na reunião estadual, irá indicar nomes de sua confiança para presidir o PDT. Um dos cotados é Wolney.

Para o deputado federal Paulo Rubem, o partido precisa de estruturar no Estado. Ele fala em falta de organização de diretórios municipais. “O desafio é fazer o partido crescer. E todo mundo sabe que o partido só cresce quando disputa eleições. Tem muito espaço para crescimento”, disse o parlamentar, sinalizando que a legenda deverá ter mais candidatos nas eleições municipais de 2016. Atualmente, o PDT tem 11 prefeitos, 119 vereadores, dois deputados estaduais e um deputado federal em Pernambuco.

Questionado se seria um dos nomes para liderar a legenda no Estado, Paulo Rubem despistou. “Não estou discutindo isso no momento. Primeiro, tem que se pensar no modelo de partido, depois organizar para em, seguida, ver quem será o presidente”, declarou.

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