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Na propaganda do rádio, Dilma e Aécio trocam acusações

Dilma acusou Aécio de perseguir jornalistas; tucano disse que o PT mente sobre o salário pago aos professores

Danilo Galindo
Danilo Galindo
Publicado em 15/10/2014 às 10:20
Foto: MIGUEL SCHINCARIOL / AFP FILES / AFP
Dilma acusou Aécio de perseguir jornalistas; tucano disse que o PT mente sobre o salário pago aos professores - FOTO: Foto: MIGUEL SCHINCARIOL / AFP FILES / AFP
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O programa eleitoral do rádio na manhã desta quarta-feira, 15, ainda não trouxe nenhuma repercussão do debate realizado na noite de ontem na TV Bandeirantes. Mas, assim como no encontro dos candidatos, o governo de Aécio Neves em Minas Gerais e a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno no Estado foram motivo de troca de acusações entre os candidatos.

Dilma acusou Aécio de perseguir jornalistas em Minas e o tucano disse que o PT mente sobre o salário pago aos professores no Estado.

Ao som de uma paródia da música Oh Minas Gerais, o programa de Dilma insistiu que "quem conhece Aécio não vota jamais" e disse que o Aécio que governou Minas é diferente do que aparece na televisão. O candidato do PSDB foi acusado de perseguir jornalistas que desagradassem seu governo e a ex-presidente do sindicato estadual da categoria, Eneida da Costa, comparou a relação do governo mineiro com a mídia com "o tempo da ditadura".

Apesar de ter usado boa parte do tempo para falar de Minas Gerais, o tema oficial do programa do PT era o Nordeste. Ao som de um jingle que dizia "respeite o meu Nordeste", um dos locutores disse que o nordestino "não aceita ser chamado de ignorante como muitos apoiadores do Aécio estão fazendo nas redes sociais". 

Neste ponto, houve uma referência indireta à declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que disse que eleitores do PT são desinformados. "O Nordeste dos grotões e dos coronéis só vai existir nos livros e no preconceito de algumas pessoas que escondem as alianças que fizeram", disse a presidente Dilma.

Dilma e Lula falaram ainda da transposição do Rio São Francisco que, depois de mais de dez anos de obras, teve seus primeiros testes realizados há poucos dias. "Obra feita com coragem. Teve problemas, mas eu não desisti. Está ficando pronta e vai mudar a vida de muita gente. Nordestinos que sonharam em ver a água chegando no sertão, inclusive esse cabra aqui", disse Lula.

No programa do PSDB, a primeira fala já acusava o PT de mentir. "Vamos acabar com a mentira do programa da Dilma", disse um locutor, antes de ser rebatido por um colega: "Qual delas?" 

O motivo da divergência era o salário pago aos professores no Estado que foi governado por Aécio, tema de frequentes reclamações da categoria. Depois de o programa de Dilma dizer que Minas não paga o piso aos professores, os tucanos rebateram afirmando que o Estado é um dos nove que cumpre a regra e apontou dois governos do PT - Rio Grande do Sul e Bahia - que estariam em desacordo com a legislação. "Você mente demais", dizia um jingle que foi apresentado em seguida.

Ao falar de corrupção, um locutor do tucano disse que acha graça quando o governo diz que manda prender corrupto, "como se eles fossem donos da polícia". Segundo o apresentador, os condenados do mensalão só estão presos porque Aécio aprovou na Câmara a lei que pune políticos acusados por crimes comuns. 

Em seguida, houve mais uma participação do comentarista político chamado de César Reis, presença constante neste segundo turno no programa de Aécio. Ele lembrou a declaração do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, que disse que os brasileiros poderiam substituir carne por "frangos, ovos e aves" para fugir da inflação. "Precisa mudar (o governo) para não ter que mudar da carne para o ovo", disse o comentarista.

Assim como no programa de Dilma, houve acusações de intimidação da mídia. Os tucanos acusaram o PT de criar uma lista negra de profissionais que desagradam ao governo. "Se eu der a minha opinião completa, eles vão me colocar na lista negra", disse o comentarista político, que pediu ainda a Dilma que não minta. "Quando um presidente perde o respeito pela verdade, perde o direito de pedir que o povo o respeite", completou.

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