ENTREVISTA

'Se uma mulher gosta de mulher, quero mais que seja feliz', diz Bolsonaro

O candidato do PSL à Presidência da República disse que se for eleito 'os homossexuais serão felizes'

Da Editoria de Política
Da Editoria de Política
Publicado em 04/10/2018 às 10:10
Foto: J. Freitas / Agência Senado
O candidato do PSL à Presidência da República disse que se for eleito 'os homossexuais serão felizes' - FOTO: Foto: J. Freitas / Agência Senado
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Candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro disse que seus adversários "inventam" coisas sobre ele. O presidenciável afirmou, por exemplo, que não tem nada contra homossexuais, mas que será contra qualquer tipo de aprendizagem de cunho sexual nas escolas. "Me criticaram dizendo que era contra nordestino, contra negro, contra gay, inventam que sou contra o décimo terceiro, que sou contra Bolsa Família, o PT faz bem suas narrativas", destacou o candidato em entrevista à Rádio Jornal, na manhã desta quinta-feira (2). 

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Conhecido tanto pelas ideias conservadoras que defende com veemência, como pelas falas polêmicas e discussões em que se envolve, Bolsonaro cresceu nas pesquisas de intenção de voto como "o defensor da família", como colocam seus defensores. "Em 2010 descobri que lançaram uma cartilha que foi chamada de kit gay para combater a homofobia, queriam colocar filmes de meninas se beijando para crianças de seis anos. A criança deve ir à escola para aprender matemática, história e não sexo. Minha bronca sempre será contra esse tipo de material escolar, o pai não quer que o filho aprenda sexo aos 6 anos. Como não tinham como discutir comigo nessa questão, inventaram que sou homofóbico, que vou matar gay. A mulher gosta de mulher, quero mais que ela seja feliz. Cada um depois de sua maioridade e dono de seus atos que cuide de sua vida", disse Bolsonaro.

POLÊMICO COM 'KIT GAY'

Bolsonaro foi um duro crítico ao projeto Escola sem Homofobia, apelidado de kit gay, que criou polêmica no primeiro mandato da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). Entretanto, o material, basicamente, tratava-se de um kit de apoio para a formação de professores em temas relacionados aos direitos LGBT, como o combate à violência e ao preconceito no ambiente escolar. A pressão de grupos conservadores, como a bancada evangélica, no entanto, fez com que a então presidente vetasse a proposta, e as peças de conscientização nunca saíram da gaveta.

As polêmicas de Bolsonaro sobre o tema não são de hoje. Em 2011, após o PSOL entrar com uma representação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, Bolsonaro disse que o partido era um partido de "pirocas" e disse que era "coisa de veados o que eles estavam fazendo". "Ninguém gosta de homossexual, a gente suporta", disse na época.

Hoje, o candidato aponta que se for eleito os "homossexuais serão felizes". "Um pai não quer chegar em casa e encontrar o filho brincando de boneca por influência da escola. O pai não quer isso, não tenho nada contra os gays, quem não tem parente, em grande maioria são pessoas felizes, que pagam seus impostos. No que depender de mim, não haverá o material escolar, mas os homossexuais serão felizes", afirmou.

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