ELEIÇÕES 2018

Sem Bolsonaro, presidenciáveis debatem pela última vez antes do 1º turno

Enquanto 8 candidatos se digladiam na TV Globo, Bolsonaro vetado pelos médicos promoverá uma live na sua página do Facebook

Ana Tereza Moraes
Ana Tereza Moraes
Publicado em 04/10/2018 às 7:57
Foto: AFP/Agência Brasil
Enquanto 8 candidatos se digladiam na TV Globo, Bolsonaro – vetado pelos médicos – promoverá uma live na sua página do Facebook - FOTO: Foto: AFP/Agência Brasil
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No momento em que 28% dos eleitores ainda admite mudar de voto na corrida à Presidência da República, segundo revela a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na terça-feira (2), participar de um debate de presidenciáveis a três dias das eleições pode ser uma grande oportunidade. Exceto para Jair Bolsonaro, candidato do PSL, que estará fora do encontro a ser realizado nesta quinta (4), na TV Globo, às 22h, por recomendação médica. Enquanto Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede) debatem na TV, o líder das pesquisas estará, ao vivo, em sua página no Facebook, fazendo um contraponto.

Segundo a emissora, Cabo Daciolo (Patriota) não participará do encontro porque o partido do candidato não tem a representatividade mínima necessária. “Os debates são sempre bem-vindos. Trazem a oportunidade do eleitor conhecer melhor seus candidatos. As campanhas terminaram por explorar os pontos negativos do candidatos, e está faltando o debate programático. Então este é um bom momento para fazer surgir essas questões. É um horário acessível, pode ter impacto da decisão do eleitor”, avaliou o cientista político e professor da UFPE Ernani Carvalho.

Mas os especialistas entendem que, no caso de Bolsonaro, a ausência pode ser benéfica. “Comparar uma live no Facebook com a audiência da TV Globo é impossível. Mas sua ausência significa preservação da sua imagem e a mudança do alvo dos ataques para o segundo lugar (nas pesquisas), que é o Fernando Haddad (PT). Os demais candidatos podem até falar mal dele (Bolsonaro), mas seria mais perigoso se ele se expusesse e falasse algo que pesasse contra ele mesmo”, ponderou o publicitário Chico Malfitani, especialista em marketing político. A estratégia de preservação da imagem a poucos dias da eleição já foi usada por outros políticos, como o ex-presidente Lula (PT), em 2006.

As circunstâncias de Jair Bolsonaro são diferentes. Ele não teve tempo de programa eleitoral de TV e rádio – que termina hoje –, e sua exposição na grande mídia tem sido, basicamente, na condição de vítima de uma facada sofrida durante ato de campanha, no dia 6 de setembro, em Minas Gerais. “Nessa campanha para presidente, o Bolsonaro praticamente desprezou o uso da televisão, seja porque ele se mostra como sendo fora do sistema tradicional ou por questões de saúde que impossibilitaram sua presença nos últimos debates e entrevistas. As redes sociais, no caso dele, são um diferencial. Nunca vi um candidato sem tempo de TV chegar ao topo das pesquisas a ponto de ir ao segundo turno, como tem se mostrado o cenário”, disse Ernani.

As condições de escolha, do ponto de vista do eleitor, ficam prejudicadas, de acordo com o sociólogo e cientista político Afonso Chaves, coordenador da especialização em ciência política da Unicap. “Seria o momento do confronto, que é bom para democracia. Com a ausência, Bolsonaro não vai se expor. Falando nas redes dele, o espectador é aquele que já está cativado, que não deve mudar de voto mesmo que assista aos demais candidatos no debate”, ressaltou.

Chaves ainda complementa: “Ele (Bolsonaro) não valoriza esse jogo da democracia. Da redemocratização para cá, essa é a primeira candidatura que foge às regras do costumeiro jogo democrático. E o debate, com mediação, faz parte, é importante para o eleitor. O espaço de debate é bom para que o candidato seja melhor conhecido”.

Na avaliação dos especialistas, Haddad deve ser o principal alvo das críticas dos demais presidenciáveis. No entanto, se conseguir se sair bem dos bombardeios, a exposição na TV poderia ser benéfica para um provável segundo turno. “Sempre dá para mudar a intenção de votos. Até o dia das urnas, muita coisa pode acontecer a ponto de atingir a candidatura de alguém. Mas acho difícil outro candidato conseguir mudar o cenário do segundo turno com Bolsonaro e Haddad. Então, este seria um momento de vantagem de Haddad para captar eleitores dos outros candidatos, como Ciro, Marina, Alckmin”, observou Afonso Chaves.

Desde que se colocou como candidato, o capitão cresceu ao vestir a carapuça de antipetista. “Bolsonaro tem surfado na onda anti-PT. Com isso, todos os ataques contra o Haddad significam vitória para Bolsonaro. Cabe ao PT conseguir contornar isso e atrair os votos do Centrão. São os votos do centro que vencem a eleição. Historicamente, quem tem o Centrão como aliado vence o pleito”, analisou Malfitani. Hoje, os partidos do Centrão estão oficialmente com Alckmin. Mas, diante do fracasso da candidatura, já se pulverizaram e avaliam o melhor caminho a tomar no segundo turno.

Os presidenciáveis já participaram de seis debates eleitorais na televisão até o momento. Bolsonaro esteve nos dois primeiros. Depois, ficou mais de 20 dias internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, recuperando-se do atentado em Juiz de Fora (MG). Haddad participou de três, porque teve a candidatura oficializada como substituto de Lula em 11 de setembro. E foi o principal alvo com questionamentos sobre episódios de corrupção relacionados ao PT e citações à crise econômica originada no governo Dilma Rousseff (PT).

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