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PCdoB reivindica agenda do governo para Congresso

Presidente nacional do partido, Renato Rabelo, disse acreditar que, com os altos índices de aprovação da presidente e a ampla base de apoio, Dilma teria condições de impor um plano de reformas ao Congresso e assim mitigar a briga por espaço entre os aliados

Priscila Miranda
Priscila Miranda
Publicado em 19/03/2012 às 17:47
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O presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, atribuiu a crise entre o governo da presidente Dilma Rousseff e sua base aliada no Congresso Nacional à falta de uma agenda governamental clara de projetos a serem discutidos no parlamento. Em entrevista exclusiva à Agência Estado, o dirigente disse acreditar que, com os altos índices de aprovação da presidente e a ampla base de apoio, Dilma teria condições de impor um plano de reformas ao Congresso e assim mitigar a briga por espaço entre os aliados. "O mais importante é a presidente dizer qual é a agenda do governo para o Congresso. Se ela tem tanta força, por quê não faz isso?", questionou. E advertiu: "Sem projetos e planos definidos, se estabelece a política do toma lá, dá cá."

Na visão do dirigente, Dilma se coloca como uma personalidade forte que busca imprimir sua marca na condução política do País. No entanto, ele avalia que falta ao governo uma interlocução política eficiente junto ao parlamento. "Todo mundo fala disso (dos ruídos de interlocução) e têm razão. Saiu (Antonio) Palocci aí não teve um interlocutor que tivesse uma autoridade para representá-la. Então ela própria tem de fazer isso (a interlocução)", destacou, sem, no entanto, opinar sobre o desempenho da atual ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, alvo de críticas de alguns dirigentes da base aliada.

Rabelo avalia como correta a postura de Dilma ao fazer prevalecer sua autoridade perante os partidos aliados, mas ressalta que o governo precisa direcionar seus trabalhos na Câmara e no Senado. "Numa coalizão tão ampla como essa, você precisa ter projeto e plano", disse. O dirigente defendeu também uma melhor integração da base aliada ao governo. "Todo partido tem de participar, isso é universal", reforçou.

O líder do PCdoB sugeriu ainda que o governo inclua em sua agenda temas importantes para o desenvolvimento do País, como a reforma tributária, e questões emergenciais, como o estabelecimento de um plano para conter a desindustrialização. "Nós achamos que temos de avançar. Tem de ter uma agenda. Já que ela tem uma força política grande e tem o Lula por trás, por que não estabelecer uma agenda clara? Nós temos muitos desafios", salientou.

SEM RESSENTIMENTOS - Passado o trauma da saída de Orlando Silva do Ministério dos Esportes, em outubro passado, Rabelo afirmou que o PCdoB superou a queda do ministro, na época acusado de participar de um esquema de desvio de dinheiro público do programa Segundo Tempo. De acordo com ele, o partido e o ministro foram vítimas de uma armação, sem no entanto entrar em detalhes a respeito. Rabelo disse apenas que "problemas de Brasília, que não diziam respeito a Orlando Silva, foram jogados no colo" do ex-ministro.

O presidente da sigla elogiou a postura de Dilma no episódio - da saída de Orlando Silva da pasta - e sua fidelidade para com o PCdoB. "Nunca nos incomodamos com a questão do Orlando e a presidente foi muito leal com ele. Na época, ela falou que o PCdoB não podia sair do Ministério. E em poucos dias indicou o Aldo Rebelo. Quer mais lealdade que isso?", avaliou.

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