Mensalão

Barbosa abre sessão do mensalão com réplica ao revisor

O ministro rebate a afirmação de Lewandowski de que alguns dos réus não teriam conhecimento dos crimes antecedentes do esquema

Da Agência Estado
Da Agência Estado
Publicado em 27/09/2012 às 15:53
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O julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal foi retomado nesta tarde, na sua 29ª sessão, com réplica do relator, ministro Joaquim Barbosa, ao voto do revisor, ministro Ricardo Lewandowski. Barbosa rebate a afirmação de Lewandowski de que alguns dos réus não teriam conhecimento dos crimes antecedentes do esquema e não poderiam ser condenados por lavagem de dinheiro. O revisor absolveu em seu voto 10 dos 13 réus acusados deste crime no capítulo em análise.

"Como muitos dos próprios réus praticaram corrupção passiva, é impossível que eles não soubessem nem mesmo desse antecedente, a não ser que acreditaram piamente que Marcos Valério e o Banco Rural havia se transformado em Papai Noel e decidido distribuir dinheiro", disse o relator.

Ele afirmou que a lavagem é um crime diferente da corrupção passiva e que os acusados realizaram as duas práticas. Disse que o fato de terem mandado terceiros realizar o saque foi apenas um fato extra, uma vez que o próprio recebimento por meio da estrutura de lavagem montada por Valério e Rural já configuraria crime.

Barbosa rebateu ainda o revisor pela absolvição integral do deputado federal Pedro Henry (PP-MT), ex-líder do PP. Ele citou depoimentos que mostrariam a participação de Henry nas negociações com o PT sobre auxílio financeiro ao PP. Observou que o papel de líder configuraria ao réu o poder de orientar a bancada em favor dos interesses do governo. "Esse papel de líder exercido por Pedro Henry foi fundamental na divisão de tarefas, que é comum em caso de quadrilha".

O relator questionou ainda a absolvição por Lewandowski de Emerson Palmieri, ex-secretário do PTB, dos crimes de corrupção passiva e lavagem. Destacou que Palmieri intermediou repasses ao partido e consta de lista feita por Valério relatando os repasses. Barbosa não quis comentar a situação de outro absolvido pelo revisor, Breno Fischberg, um dos sócios da corretora Bônus Banval, que repassou recursos ao PP. O relator disse esperar por celeridade no julgamento: "Eu mais do que ninguém quero que esse julgamento termine o mais rápido possível".

Lewandowski não fez tréplica às considerações. Na sequência, a ministra Rosa Weber daria seu voto sobre essa parte do julgamento que trata dos réus ligados ao PP, PL (atual PR), PTB e PMDB beneficiários do esquema.

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