eleições 2014

PT apoia reeleição de Dilma Rousseff, afirma Rui Falcão

Segundo presidente do partido, as especulações sobre a não candidatura à reeleição da presidente seriam ações de setores da mídia para criar uma ruptura entre Dilma e Lula

Da Agência Estado
Da Agência Estado
Publicado em 27/09/2012 às 19:54
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O Partido dos Trabalhadores (PT) está comprometido em apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014, de acordo com o presidente do partido, Rui Falcão. "Estamos apoiando o governo da presidente Dilma e queremos dar suporte à sua reeleição", disse Falcão em entrevista à Dow Jones, concedida em seu escritório em São Paulo. "Do ponto de vista do PT, apostamos em sua reeleição."

As possibilidades eleitorais do PT em 2014 têm sido alvo constante de especulações no Brasil, já que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda é uma figura popular tanto no partido quanto no País. Segundo Falcão, é natural que as pessoas falem sobre Lula como candidato, mas o próprio ex-presidente - que se recupera de um câncer na garganta - já disse que apoia a reeleição de Dilma Rousseff. "Se ele vai concorrer em 2018, é um outro assunto", disse o presidente do PT.

Falcão acusou setores da mídia de tentar criar uma ruptura entre Lula e Dilma. "Há unidade e entendimento entre os dois", disse Falcão. "E ele (Lula) já disse que caso algum dia eles discordem ela provavelmente estará certa".

A presidente Dilma Rousseff é cuidadosa em não se apresentar como candidata, porque assim que isso acontecer, ela estará de fato encurtando o seu mandato atual, disse ele. Além disso, sua candidatura teria de ser combinada com os aliados políticos do PT, afirmou Falcão.

Nas próximas eleições municipais de outubro, o PT espera manter o aumento do número de candidatos do partido eleitos, ganhando mais cadeiras do que perdendo, disse ele, lembrando que o partido vem crescendo consistentemente desde 1985.

O PT elegeu 558 candidatos em 2008 contra 409 em 2004, tornando-se o terceiro maior partido no Brasil, atrás apenas do opositor Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que elegeu 791 em 2008, e de seu aliado no Congresso, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), com 1.204 membros eleitos.

MENSALÃO - Falcão, de 68 anos, um dos fundadores do PT, diz que é difícil medir o impacto do julgamento do mensalão, atualmente em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre as eleições municipais.

O PT afirma que o dinheiro não era utilizado para comprar os votos dos congressistas, mas sim no financiamento não oficial de campanhas, um problema muito comum na política brasileira.

"Isso não nos desculpa", disse Falcão, embora haja diferenças significativas, já que a compra votos seria uma atividade criminosa, enquanto o financiamento de campanha é um crime eleitoral, afirmou.

ELEIÇÕES 2012 - De acordo com o presidente do PT, a eleição trouxe surpresas em algumas cidades como São Paulo, a maior e mais do Brasil. Os candidatos do PT e do PSDB, que tradicionalmente têm boas votações na cidade, estão bem atrás do primeiro colocado, Celso Russomanno, do pequeno Partido Republicano Brasileiro (PRB).

"Ele é um fenômeno que está totalmente fora da curva", ele disse acrescentando que ainda não está claro o que está conduzindo candidaturas como esta e lembrando que elas geralmente acontecem em circunstâncias particulares.

Enquanto a maior parte das atenções se concentram nas disputas nas maiores cidades, Falcão afirmou que tão importantes quando os grandes centros são as cidades com mais de 150 mil habitantes. Atualmente, o PT comanda 34 dessas cidades, o que representa 48% do eleitorado e 52% o Produto Interno Bruto do Brasil (PIB), enquanto o PMDB governa 19 desses centros e PSDB administra 14 deles.

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