Avaliação

Dilma: dois anos de popularidade em alta, mas sob ameaça econômica

Uma pesquisa do Ibope divulgada em dezembro colocou a popularidade de Dilma em 78% e o apoio a seu governo em 62%

Valentine Herold
Valentine Herold
Publicado em 30/12/2012 às 14:20
Foto: AFP
Uma pesquisa do Ibope divulgada em dezembro colocou a popularidade de Dilma em 78% e o apoio a seu governo em 62% - FOTO: Foto: AFP
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A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, completará nesta terça-feira (1°) a metade de seu mandato com uma popularidade recorde, mas segue ao mesmo tempo ameaçada pela desaceleração da economia, que também esfriou a comemoração dos 10 anos da chegada da esquerda ao poder.

A sucessora e herdeira política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) alcançou nos últimos dois anos o parecia improvável: ultrapassar em popularidade seu mentor e transformar o seu estilo sóbrio de governo na principal alternativa no Partido dos Trabalhadores (PT) para a eleição de 2014.

"Dilma atinge a metade de seu mandato (quatro anos), com uma avaliação melhor do que qualquer um dos seus antecessores no mesmo período", disse Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto de pesquisa de opinião do Vox Populi, em uma coluna no Correio Brasiliense.

Uma pesquisa do Ibope divulgada em dezembro colocou a popularidade de Dilma em 78% e o apoio a seu governo em 62%. O instituto Datafolha também divulgou um estudo que a coloca na frente nas intenções de voto para a próxima eleição presidencial. Apenas o ex-presidente Lula poderia rivalizar com ela, embora ele própria já tenha dito que disputaria a eleição apenas se Dilma não o fizer, algo sobre o qual a presidente ainda não se pronunciou.

Antes disso, porém, Dilma - a primeira mulher a chegar ao poder no Brasil - terá que reverter dois anos de desaceleração econômica.

O crescimento de 1% previsto para 2012 (o mais baixo entre os emergentes) e de 2,7% registrado em 2011 foram decepcionantes para a gestão Dilma, após um crescimento de 7,5% em 2010.

"Foram dois anos de fracasso econômico", escreveu o jornal O Estado de São Paulo, neste domingo, acrescentando que mesmo o consumo interno forte e o desemprego de apenas 4,9% em novembro não são suficientes para sustentar a recuperação.

Ao mesmo tempo, nesta década do primeiro governo de esquerda "as áreas de assistência social e de transferência de renda evoluíram bastante, com excelentes resultados nos indicadores de pobreza e na composição da classe média", disse o economista Raul Velloso, diretor da ARD Consultores Associados.

Contudo, a infraestrutura de transporte do anfitrião da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 segue deteriorada, e a política de aliança com o setor privado para desenvolver trabalhos é "equivocada", pois assegura muitos lucros às empresas ", disse o especialista para o jornal O Globo.

O governo de Dilma Rousseff, que em dois anos perdeu sete ministros por corrupção - sem prejudicar a popularidade da presidente - atribui os infortúnios econômicos à crise internacional. O governo, no entanto, aposta forte na recuperação após uma série de incentivos para investimento e consumo e através do compromisso de reduzir a asfixiante carga tributária.

"Eu acho que o Brasil, em 2013, vai crescer mais", disse o presidente na sexta-feira, com os olhos voltados para a maior conquista do PT no governo: a luta contra a pobreza e a ascensão de 40 milhões de pessoas à classe média desde 2003. "Vamos continuar a superação da pobreza extrema, que é o compromisso do meu governo até 2014", disse.

Dilma reafirmou neste domingo as conquistas sociais do PT, sem mencionar o escândalo de corrupção que terminou este ano, com a condenação de três líderes históricos do partido por suborno a parlamentares no primeiro governo Lula. O julgamento retumbante não afetou a popularidade de Dilma e ou de Lula - excluído do julgamento -, mas tirou do PT a bandeira contra a corrupção empunhada em seus tempos de oposição.

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