são paulo

Auditora fiscal que acusou secretário será exonerada

A oficialização da dispensa deve ser publicada no Diário Oficial da Cidade nesta quinta-feira

Rafael Carvalheira
Rafael Carvalheira
Publicado em 06/11/2013 às 18:30
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A servidora Paula Sayuri Nagamati, que acusou o secretário municipal de Governo de São Paulo, Antônio Donato, de receber dinheiro do grupo que fraudava o Imposto Sobre Serviços (ISS), será exonerada. A oficialização da dispensa deve ser publicada no Diário Oficial da Cidade nesta quinta-feira.

Auditora fiscal de carreira, Paula ocupava o cargo comissionado de supervisora técnica 2 da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, pasta comandada pela secretária Luciana Temer. A funcionária prestou depoimento ao Ministério Público (MP) no dia 31. Ela declarou que ouviu de Ronilson Rodrigues, um dos líderes da quadrilha, que o grupo "apoiou a campanha" de Donato a vereador, financiada "com dinheiro, fruto da fiscalização".

Em reposta, o prefeito Fernando Haddad (PT) voltou a defender Donato e desqualificou as acusações da fiscal, dizendo que ela pertence ao "núcleo da quadrilha". A fraude no ISS foi cometida entre 2007 e 2012, durante a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), e pode ter desfalcado a Prefeitura em até R$ 500 milhões.

Outro envolvido com o esquema, Fabio Camargo Remesso, também foi suspenso do cargo na semana passada. Auditor fiscal, ele atuava como assessor na Secretaria Municipal de Relações Governamentais cujo titular é João Antonio. Remesso foi indicado pelo vereador Nelo Rodolfo (PMDB).

Quatro auditores fiscais da Prefeitura de São Paulo foram presos na manhã do dia 30, acusados de integrar uma quadrilha que cobrava propina para reduzir o ISS devido por construtoras. O rombo estimado de R$ 500 milhões nos cofres do município é o valor que teria deixado de ser arrecadado de 2007 a 2012.

O ISS é um requisito para que os empreendimentos obtenham o habite-se, documento que atesta que a obra pode ser ocupada. Um dos servidores, Luís Alexandre Cardoso de Magalhães, foi solto na segunda-feira, 4, após acordo de delação premiada. Eduardo Horle Barcellos, Ronilson Bezerra Rodrigues e Carlos Di Lallo Leite do Amaral permanecem detidos.

A ação é a primeira da Operação Acerto de Contas, parceria da Controladoria-Geral do Município (CGM) e do Ministério Público Estadual para combater a corrupção dentro das repartições municipais. O esquema é tratado por Haddad como "um dos maiores escândalos já descobertos na cidade".

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