Convenção Partidária

Para PP gaúcho, TSE anulará convenção do partido

O evento terminou em tumulto após a aprovação relâmpago de uma resolução conferindo à executiva nacional do PP o direito de deliberar sobre a aliança na eleição para a Presidência da República

Carolina Sá Leitão
Carolina Sá Leitão
Publicado em 26/06/2014 às 19:38
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O presidente do PP no Rio Grande do Sul, Celso Bernardi, afirmou nesta quinta-feira (26) que confia na anulação da convenção do partido, realizada nessa quarta-feira (25) em Brasília. "Confiamos que a Justiça não dará validade a uma convenção antidemocrática que não respeitou os direitos dos seus convencionais", disse. 

O evento terminou em tumulto após a aprovação relâmpago de uma resolução conferindo à executiva nacional do PP o direito de deliberar sobre a aliança na eleição para a Presidência da República, sem colocar em votação a opção de o partido se manter neutro na disputa presidencial, como defende o diretório gaúcho. Enquanto os dissidentes protestavam contra a resolução, o presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), fez uma breve reunião da executiva que aprovou a coligação com o PT. Depois, em comunicado publicado na internet, o partido oficializou o apoio à reeleição de Dilma Rousseff. 

Ontem mesmo, representantes do PP protocolaram uma ação cautelar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo uma liminar para suspender os efeitos da convenção em Brasília. A senadora gaúcha Ana Amélia Lemos, pré-candidata do PP ao governo do Estado, publicou em sua página do Facebook uma cópia da ação protocolada junto ao TSE. 

"Entendemos que a decisão (sobre a coligação com o PT) não foi legítima, pois a maior parte dos convencionais não foi consultada. Por isso, juntamos provas suficientes para embasar a ação no TSE e buscar que o partido encaminhe sua decisão de forma democrática", disse Ana Amélia em post na rede social. 

Em nota publicada ontem na página do PP na internet, Ciro Nogueira ressaltou que a decisão sobre o apoio à candidatura de Dilma Rousseff foi tomada em comum acordo com a maioria e que a discordância de dois diretórios estaduais (Rio Grande do Sul e Minas Gerais) faz parte do processo democrático.

O PP gaúcho, no entanto, alega que outros diretórios, como Santa Catarina, Rio de Janeiro e Goiás, também eram favoráveis à neutralidade. Segundo Celso Bernardi, se o processo tivesse sido mais transparente, a opção pela neutralidade teria saído vitoriosa. "Tiraram o nosso direito de voz e voto. Nem sequer temos candidato na chapa majoritária que concorre à Presidência da República. As eleições estaduais deveriam ser prioridade, mas o que vimos foi uma ode em defesa dos interesses de um pequeno grupo do partido. Sem dúvida saímos divididos dessa Convenção", afirmou. 

No Rio Grande do Sul, o PP formou aliança com o PSDB de Aécio Neves. Ana Amélia teme que, com o apoio do partido ao PT no âmbito nacional, não possa usar a imagem do senador mineiro em sua propaganda eleitoral.

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