MANIFESTAÇÃO

Teatro da Universidade Católica de São Paulo lota em ato pela defesa da presidente

Os 675 lugares do mítico teatro situado na zona oeste de São Paulo foi totalmente ocupado

Do Estadão Conteúdo
Do Estadão Conteúdo
Publicado em 17/03/2016 às 8:25
Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
Os 675 lugares do mítico teatro situado na zona oeste de São Paulo foi totalmente ocupado - FOTO: Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
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Enquanto a presidente Dilma Rousseff sofria mais um abalo com a divulgação do grampo de uma conversa sua com o ex-presidente Lula, o Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca) servia na quarta-feira (16) de espaço, no mesmo horário, do Ato pela Legalidade Democrática com juristas, intelectuais, políticos e artistas que se manifestaram contra as ações do juiz Sérgio Mouro e os desdobramentos da Operação Lava Jato.

Aldimar Assis, presidente do Sindicato dos Advogados de São Paulo, afirmou que "o grampo sofrido pela presidente é um estupro ao estado democrático de direito". A professora Marilena Chauí declarou que é nesse caldo que nascem os ditadores e tiranos. "A massa que está nas ruas não é ligada a partidos ou a movimentos sociais, é uma massa atrás de um líder conservador e tirano." 

 

Os 675 lugares do mítico teatro situado na zona oeste de São Paulo, no bairro Perdizes, foi totalmente ocupado - centenas de outros de manifestantes acabaram assistindo ao evento por meio de um telão colocado do lado de fora. De lá, gritavam "não vai ter golpe".

O ato no Tuca foi aberto pelo ator Sérgio Mamberti que, emocionado, puxou o mesmo coro de "não vai ter golpe" e de "no pasarán (não passarão, em referência aos golpistas)". 

Além da mídia, as críticas foram direcionadas ao sistema financeiro e ao Judiciário. Comparou-se as ações de Moro às dos nazistas na Alemanha. 

O jurista Fábio Konder Comparato ironizou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, dizendo que o apego de FHC pelo poder fez com que ele rasgasse a Constituição conseguindo prorrogar seu mandato. 

Sobre o instituto da delação premiada, o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello concluiu que "o dedo-duro é um deprimente". Para ele, a sociedade deve se insurgir contra o que chamou de "dedurismo". "O dedo-duro é aceito na cultura americana. No Brasil, o dedo-duro é aquela que ninguém respeita, que não tem amigo." 

Os participantes do ato pediram para que ninguém use preto hoje, já que a cor será a escolhida por integrantes do movimento pró-impeachment.

Em vídeo exibido no teatro, o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica também defendeu o governo Dilma e pediu uma união latino-americana. 

Guilherme Boulos, do MTST, pediu a demissão do diretor-geral da Polícia Federal devido ao vazamento do grampo da conversa entre Dilma e Lula. Além disso, criticou o ministro do STF, Gilmar Mendes, a que chamou de tucano e acusou de fazer política no Supremo. 

O ex-ministro da fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira fez reparos à condução econômica do último ano da presidente Dilma, mas advertiu que isso não é motivo para abertura de um processo de impeachment. Além disso, Bresser Pereira chamou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como "agentes do golpe".

O presidente da CUT, Vagner Freitas, convocou a militância a fazer uma vigília em frente ao Palácio do Planalto durante a nomeação de Lula como ministro da Casa Civil. 


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