Acordo Transpacífico

Para Armando Monteiro, quebra do acordo TPP é benéfica para o Brasil

O senador ponderou que apesar de boa para o Brasil, a decisão do presidente americano Donald Trump não deixa de ser um retrocesso

Aline Araújo
Aline Araújo
Publicado em 24/01/2017 às 10:57
Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
O senador ponderou que apesar de boa para o Brasil, a decisão do presidente americano Donald Trump não deixa de ser um retrocesso - FOTO: Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
Leitura:

O senador Armando Monteiro Neto (PTB) avaliou que a saída dos Estados Unidos do Acordo de Associação Transpacífico (TPP – sigla em inglês) é benéfica para a economia do Brasil. Em entrevista no programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, na manhã desta terça-feira (24), o senador ponderou que apesar de boa para o Brasil, a decisão do presidente americano Donald Trump não deixa de ser um retrocesso. 

“Dos 11 países que integram esse acordo, há países de nível médio que concorrem com o Brasil em diferentes áreas. Por exemplo, no mercado americano, a Austrália passaria a ter condições de vender carne e proteínas em condições muito mais favoráveis que o Brasil. Nesse caso, o Brasil fica numa posição de menor defasagem, ficando no mínimo equivalente a de muitos desses países”, explicou. 

Para Armando Monteiro, que foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do segundo mandato do Governo Dilma Rousseff, para um país como o Brasil que se atrasou nesses processos de integração a rede de acordos internacionais, o fato de outros países ficarem fora de um acordo preferencial com os Estados Unidos é uma possibilidade de expansão, já que o protecionismo que Trump promete não afeta o país de forma tão direta quanto países como o México.

“Acho que esse movimento dos EUA vai permitir uma maior integração do Brasil com países como o México, com qual já vem lançando a perspectiva de aplicação de um acordo comercial. E com países da aliança do Pacífico, Chile, Peru e talvez um movimento mais forte com relação aos países asiáticos. Mas eu acho, que logo logo a administração Trump se dará conta que essa estratégia ajudará os pequenos produtores a curto prazo, mas globalmente os EUA perde. Porque essas medidas protecionistas terão uma resposta da comunidade”, disse. 

 

Indústria

O senador afirmou que apesar de boa pro Brasil, as movimentações acenas por Donal Trump impactam o comércio internacional e afetará principalmente o poder de compra do povo americano. “O Brasil ganha, mas o comércio internacional perde. É lamentável de certa forma, que haja esse retrocesso. Porque pode obrigar o consumidor americano a comprar produtos mais caros”, constatou. 

Porém, a longo prazo, o Brasil seria mais uma vez beneficiado pelo protecionismo americano, que pode dar força para a indústria do Brasil. “Mas sendo pragmático, o Brasil tem a ganhar com isso. A indústria brasileira pode ganhar sobre tudo”, disse Armando Monteiro. 


O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias