Escândalo

Janot sobre prisão de procurador da República: 'tem um gosto amargo'

Após prisão do procurador da República, Augusto Goulart Villela, Janot pediu em nota para que continuem confiando nas instituições republicanas

JC Online
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Publicado em 18/05/2017 às 10:28
Foto: Agência Brasil
Após prisão do procurador da República, Augusto Goulart Villela, Janot pediu em nota para que continuem confiando nas instituições republicanas - FOTO: Foto: Agência Brasil
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O procurador geral da República, Rodrigo Janot se posicionou em nota sobre o caso da prisão do procurador da República Ângelo Goulart Villela. Segundo ele, essa nova fase da Lava Jato "tem um gosto amargo para a nossa Instituição". 

Janot se mostrou consternado com a situação e desapontamento com o escândalo ter chegado à Procuradoria-Geral da República. "Há três anos, revelou-se um esquema criminoso que estarrece os brasileiros. As investigações realizadas pelo Ministério Público Federal e outros órgãos públicos atingiram diversos níveis dos Poderes da República em vários Estados da Federação e, aquilo que, até então, estava restrito aos círculos da política e da economia, acabou chegando à nossa Instituição", lamentou em nota.

Janot afirmou ainda que foi pedido o afastamento de Ângelo Goulart de suas funções no Ministério Público Federal e determinou também sua exoneração da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao TSE. Villela também teve sua designação para atuar na força-tarefa do caso Greenfield revogada.

Confira na íntegra a nota do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot:

Foi deflagrada nesta quinta-feira, 18 de maio, mais uma fase do caso Lava Jato, especificamente a partir de investigações que correm perante o Supremo Tribunal Federal. O sucesso desta etapa, contudo, tem um gosto amargo para a nossa Instituição.

Há três anos, revelou-se um esquema criminoso que estarrece os brasileiros. As investigações realizadas pelo Ministério Público Federal e outros órgãos públicos atingiram diversos níveis dos Poderes da República em vários Estados da Federação e, aquilo que, até então, estava restrito aos círculos da política e da economia, acabou chegando à nossa Instituição.

Exercer o cargo de Procurador-Geral da República impõe, não poucas vezes, a tomada de decisões difíceis. Nesses momentos, o único caminho seguro a seguir é o cumprimento irrestrito da Constituição, das leis e dos deveres institucionais. Não há outra forma legítima de ser Ministério Público.

A meu pedido, o ministro Edson Fachin determinou a prisão preventiva do procurador da República Ângelo Goulart Villela e do advogado Willer Tomaz. A medida está embasada em robusta documentação, coletada por meio de ação controlada. As prisões preventivas de ambos foram por mim pedidas com o objetivo de interromper suas atividades ilícitas. No que diz respeito ao procurador da República, o mandado de prisão expedido pelo STF foi executado por dois procuradores regionais da República com o auxílio da Polícia Federal. Também foram realizadas buscas e apreensões em seus endereços residenciais e funcionais. Foi pedido ainda o afastamento do procurador de suas funções no Ministério Público Federal. Determinei também sua exoneração da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao TSE e revoguei sua designação para atuar na força-tarefa do caso Greenfield.

O membro e o citado advogado são investigados por tentativa de interferir nas investigações da referida operação, que envolve o Grupo J&F, e de atrapalhar o processo de negociação de acordo de colaboração premiada de Joesley Batista.

A responsabilidade criminal do procurador e dos demais suspeitos atingidos pela operação de hoje será demonstrada no curso do processo perante os juízos competentes, asseguradas todas as garantias constitucionais e legais.

Como Procurador-Geral da República, cumpri meu dever institucional e adotei as medidas que a Constituição e as leis me impunham.

Sigamos confiando nas instituições republicanas.

Rodrigo Janot

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