Operação Patmos

STF determina afastamento de Aécio Neves e Rocha Loures

Aécio Neves foi gravado pedindo R$ 2 milhões ao dono da JBS, Joesley Batista, para pagar despesas com Lava Jato

Estadão Conteúdo
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Publicado em 18/05/2017 às 7:38
Foto: Agência Brasil
Aécio Neves foi gravado pedindo R$ 2 milhões ao dono da JBS, Joesley Batista, para pagar despesas com Lava Jato - FOTO: Foto: Agência Brasil
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O Supremo Tribunal Federal afastou o senador Aécio Neves (PSDB) e o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB) de seus cargos no Congresso Nacional após pedido da Procuradoria-geral da República com base na delação de Joesley Batista e pessoas ligadas ao grupo J&F. Aécio foi gravado solicitando R$ 2 milhões ao empresário e Rocha Loures foi filmado pela Polícia Federal recebendo valores do empresário. A Procuradoria Geral da República pediu a prisão de Aécio.

A Polícia Federal está cumprindo mandados de busca e apreensão contra o presidente nacional do PSDB em imóveis no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte e também no gabinete dele.

Irmã e primo de Aécio são presos

Andrea Neves, irmã do senador, foi presa na manhã desta quinta-feira (18), na Região Metropolitana deBelo Horizonte acusada de pedir dinheiro para Joesley Batista em nome do irmão - que recebeu R$ 2 milhões do empresário em entrega filmada e registrada. O dinheiro foi dada a um primo de Aécio.

Um primo do presidente do PSDB também foi preso preventivamente pela Polícia Federal. Frederico Pacheco de Medeiros, conhecido como Fred, teria sido filmado recebendo R$ 2 milhões a mando de Joesley Batista.

Além dele, Menderson Souza Lima, assessor do senador Zezé Perrela (PMDB-MG) também foi preso. Todos foram citados na delação de Joesley Batista. Em todos os casos os mandados são de prisão preventiva e foram autorizados pelo STF.

Operação Patmos

A Operação que afastou o presidente do PSDB do mandato foi denominada pela Polícia Federal de Patmos. É uma referência a ilha grega na qual o apóstolo João teria recebido mensagens do apocalipse. 

Delação de Joesley

A operação ocorre um dia após o jornal O Globo divulgar que Aécio teria sido gravado pedindo uma quantia de R$ 2 milhões ao dono da JBS, Joesley Batista, para pagar despesas com sua defesa na Lava Jato. A gravação teria sido realizada pelo próprio empresário e entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Na conversa gravada, Joesley e Aécio negociam de que forma seria feita a entrega do dinheiro. O empresário teria dito que se o senador recebesse pessoalmente o dinheiro, ele mesmo, Joesley, faria a entrega. E, se Aécio mandasse um preposto, o empresário faria o mesmo. Foi quando o senador disse a seguinte frase: "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do c***.".

O "Fred" citado no diálogo é Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, ex-diretor da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e um dos coordenadores da campanha do tucano à Presidência em 2014. O responsável pela entrega teria sido o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, de acordo com a reportagem do jornal.

Rocha Loures, por sua vez, teria sido filmado pela Polícia Federal recebendo cerca de R$ 500 mil em propina.

Também na matéria do jornal O Globo, o colunista Lauro Jardim informou que Joesley Batista, dono da JBS - a maior produtora de proteína animal do mundo -, teria gravado uma conversa com Michel Temer (PMDB) onde o presidente o autoriza a comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Minutos depois, a oposição protocolou um pedido de impeachment na Câmara.

Segundo Jardim, na gravação, Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB) para resolver um assunto da J&F, uma holding que controla a JBS. Depois disso, o deputado foi filmado recebendo R$ 500 mil encaminhados por Joesley.

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