PROPOSTA

Aliados de Temer impedem discussão da PEC das eleições diretas na Câmara

Os governistas conseguiram manter as duas horas de sessão apenas na discussão de um requerimento de inversão de pauta

Estadão Conteúdo
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Publicado em 13/06/2017 às 14:37
Foto: Gervásio Baptista/Agência Brasil
Os governistas conseguiram manter as duas horas de sessão apenas na discussão de um requerimento de inversão de pauta - FOTO: Foto: Gervásio Baptista/Agência Brasil
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Em obstrução, a base governista impediu o avanço na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara da discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece eleições diretas no País. Com receio de não ter votos suficientes para barrar a PEC, a base aliada veio munida de uma série de requerimentos e não houve tempo para o debate de mérito na manhã desta terça-feira (13).

De autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), a PEC propõe eleições no caso de vacância da Presidência da República, exceto nos seis últimos meses do mandato. Desde que a crise política se agravou com a divulgação da delação premiada do empresário Joesley Batista, da JBS, em meados de maio, a oposição tenta votar a PEC na CCJ. Sob pressão dos oposicionistas, o presidente da comissão, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), cedeu e marcou a sessão exclusiva para hoje, contrariando os governistas.

A sessão começou por volta das 10h45 e os governistas já anunciaram o "kit obstrução". "Obstrução sim para o Brasil continuar crescendo em paz", alegou o vice-líder do governo, Darcísio Perondi (PMDB-RS). Perondi acusou a oposição de querer "colocar fogo no País" e impedir a retomada do crescimento econômico. "Eleição direta agora é querosene puro", completou.

Estratégia

Os governistas conseguiram manter as duas horas de sessão apenas na discussão de um requerimento de inversão de pauta, mas não houve quórum para a conclusão da votação. O comportamento da base aliada irritou os oposicionistas. "A posição da oposição fica muito clara em não querer debater", reclamou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

Ciente de que enfrentaria uma forte obstrução, a oposição veio munida de placas de protesto com os dizeres: "Vampiro teme a luz, corrupto teme diretas", "fujões apareçam para o debate" e "governistas fogem do debate!". O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) disse que a única forma de pacificação do País é devolver ao eleitor o direito de escolher o substituto de Michel Temer. "Vamos continuar insistindo nessa comissão para que essa PEC seja apreciada", avisou Molon.

O presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), se comprometeu em retomar a discussão da PEC na próxima semana. O peemedebista avisou que o tema será item único da sessão.

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