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'Temer fez uma estratégia política ao atacar Janot', diz Lavareda

Segundo o cientista político Antônio Lavareda, Michel Temer constatou a 'fragilidade' em torno de Rodrigo Janot e optou por atacá-lo

Editoria de Política
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Publicado em 28/06/2017 às 9:09
Agência Brasil
Segundo o cientista político Antônio Lavareda, Michel Temer constatou a 'fragilidade' em torno de Rodrigo Janot e optou por atacá-lo - FOTO: Agência Brasil
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Atualizada às 10h14

O cientista político Antônio Lavareda fez uma análise da estratégia de defesa do presidente Michel Temer (PMDB) diante da divulgação do conteúdo da denúncia do procurador Geral da República, Rodrigo Janot, protocolada nesta segunda-feira (26). O cientista político afirmou que Temer fez uma "escolha de estratégia política" que seria "polemizar o adversário". "Ao invés de atacar a Procuradoria, o presidente optou por ir direto ao ponto. No caso, é o procurador Rodrigo Janot", contou. 

Segundo Lavareda, a opinião pública se colocou pela primeira vez de maneira crítica com relação a conduta de Janot, devido as condições do acordo de delação premiada firmado entre os irmãos Batista e o Ministério Público Federal. "A pesquisa Datafolha mostrou que 81% dos brasileiros não concordaram com o fato de Joesley e seu irmão não tivessem sido presos". Temer então, teria constatado essa "fragilidade" e concentrar a sua resposta em Rodrigo Janot. "Levantando suspeição sobre a origem, o interesse do procurador nessa denúncia", disse Lavareda, em entrevista à Rádio Jornal nesta quarta-feira (28). 

Ex-procurador

Em pronunciamento feito na tarde desta terça-feira (27), o presidente Michel Temer citou o ex-procurador Marcelo Miller. "Um assessor muito próximo ao procurador-geral da República, o senhor Marcelo Miller, homem de sua mais estrita confiança, um dia deixa o emprego do sonho de milhares de jovens brasileiros, abandona o Ministério Público para trabalhar em empresa que faz delação premiada com o procurador-geral" Segundo Temer, Miller "garantiu ao seu novo patrão (Joesley Batista) um acordo benevolente, uma delação que o tira das garras da Justiça, que gera uma impunidade nunca antes vista". "E tudo ratificado, tudo assegurado pelo procurador-geral. Pelas novas leis penais da ilação, ora criada na denúncia, poderíamos concluir que, talvez, os milhões não fossem unicamente para o assessor de confiança que deixou a Procuradoria da República", alfinetou o presidente. 

"Esse ex-procurador, hoje advogado, até muito recentemente era umbilicalmente ligado ao trabalho da Força Tarefa da Lava jato em Brasília, as vésperas da divulgação do acordo passo a ser advogado trabalhando para o grupo beneficiado nesse acordo de delação", afirmou Antônio Lavareda.

Em maio deste ano, o Ministério Público Federal (MPF), assegou que Miller "não participou das negociações do acordo de colaboração premiada dos executivos do grupo J&F", responsável pela JBS. Apesar de ter atuado nos acordos do senador cassado Delcídio Amaral, do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e da Odebrecht, Miller não atuou no fechamento das delações premiadas do grupo J&F, que implicam Temer. 

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