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PGR acelera delações premiadas antes da saída de Rodrigo Janot

Procuradoria Geral da República (PGR) aposta nas delações com mais chances de serem homologadas até 17 de setembro

Editoria de Política
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Publicado em 26/07/2017 às 9:14
ABr
Procuradoria Geral da República (PGR) aposta nas delações com mais chances de serem homologadas até 17 de setembro - FOTO: ABr
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Atualizada às 10h16

Pelo menos cinco acordos de delação premiada estão sendo negociados para que sejam homologados antes da saída de Rodrigo Janot da Procuradoria Geral da República (PGR), no dia 17 de setembro. Janot e sua equipe pretendem agilizar a negociação com a empreiteira OAS, o ex-ministro Antonio Palocci, o empresário Henrique Constatino, sócio da Gol, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) e o doleiro Lúcio Bolonha Funaro.

A PGR aposta nessas delações pois acredita que há grande chances de homologação antes do fim da gestão do atual procurador Geral. Os advogados de defesa estão apreensivos com a posse da nova Procuradora Geral, Raquel Dodge, já que não sabem como se darão as futuras negociações e o que será pedido em contrapartida. Com Rodrigo Janot, já conhecem a dinâmica. Para eles, Raquel foi colocada na Procuradoria pelo Palácio do Planalto com o objetivo de frear a Operação Lava Jato, mas em suas declarações ela nega que tenha essa intenção. A nova procuradora pretende se dedicar às delações pendentes logo após uma análise do orçamento da PGR para 2018. 

OAS

O acordo de delação premiada mais avançado é o da empreiteira OAS. A empresa oferece como contrapartida envolvimento de políticos com foro privilegiado e nomes do Poder Judiciário, além de provas contra o ex-presidente Lula. Por conta de alguns vazamentos de informações, as negociações pararam por oito meses e foram retomadas em março deste ano. A empresa já definiu o conteúdo e pretende passar a discutir as condições do acordo e benefícios para os delatores em até duas semanas. 

Palocci

A delação do ex-ministro Antonio Palocci, já preso em Curitiba, também tem avançado. A proposta inicial do ex-ministro oferecia dados sobre operações irregulares e venda de informações para o setor financeiro e corrupção durante o governo de Lula. Porém, não agradou a PGR, já que não revelava nomes com foro privilegiado e ele não assumia a prática de qualquer crime. Uma nova proposta foi apresentada, com cerca de 40 temas, incluindo novos fatos e envolvimento de pessoas com foro. 

Eduardo Cunha

O ex-deputado federal Eduardo Cunha, também preso em Curitiba, oferece informações sobre fatos ligados diretamente ao presidente Michel Temer (PMDB), ao ministro da Casa Civil, Moreira Franco e o secretário Geral da Presidência da República, Eliseu Padilha (já citados na delação da empreiteira Odebrecht) e corrupção na Caixa Econômica Federal. A delação ainda está em discussão na PGR sobre o seu conteúdo e a defesa de Cunha ainda não apresentou os anexos com os temas. A força tarefa não simpatiza com a delação do ex-deputado. O discurso é que, entre ele e Funaro, só uma das delações será homologada, já que os dois estão envolvidos em um mesmo esquema. A preferência porém, é pelo doleiro. 

Lúcio Funaro

O doleiro Lúcio Funaro, preso em Brasília, negocia a entrega de fatos ligados à Temer e sobre corrupção envolvendo o PMDB da Câmara e na Caixa. A defesa do doleiro trabalha na redação final dos anexos e discute os temas e as condições com os procuradores.

Henrique Constantino

O sócio da Gol, Henrique Constantino, tem informações sobre reunião com Temer para negociar financiamento de campanha eleitoral, propina paga a Eduardo Cunha, o ex-ministro Henrique Eduardo Alves e outros políticos do PMDB. O conteúdo já foi apresentado e o acordo de confidenciabilidade assinado. Mas os procuradores exigem a relevação de outros fatos para viabilizar a homologação. 

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