Entrevista

Novas delações podem ajudar nas investigações contra Temer, diz Janot

Janot disse que não pode confirmar a negociação com Eduardo Cunha para um acordo de delação premiada, mas disse 'o cara neste nível tem que entregar gente do andar para cima'

JC Online
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Publicado em 07/08/2017 às 9:40
Foto: Elza Fiuza/ Agência Brasil
Janot disse que não pode confirmar a negociação com Eduardo Cunha para um acordo de delação premiada, mas disse 'o cara neste nível tem que entregar gente do andar para cima' - FOTO: Foto: Elza Fiuza/ Agência Brasil
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Para o procurador-geral da República Rodrigo Janot algumas "colaborações em curso" podem contribuir nas investigações contra o presidente Michel Temer, suspeito de obstrução de Justiça e organização criminosa. A Procuradoria-Geral da República (PGR) tenta que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o operador financeiro Lúcio Funaro, presos pela Lava Jato, aceitem um acordo de delação premiada.

Janot concedeu entrevista à Folha de São Paulo e comentou sobre o rumo das investigações. Ele disse que não pode confirmar a negociação, mas contou o que é preciso para alguém como o ex-deputado Eduardo Cunha fechar o acordo. "O cara este neste nível [gesto com mão parada no ar], ele tem que entregar gente do andar para cima [com outra mão gesticula um nível acima]. Não adianta ele virar para baixo, não me interessa".

Afirmando haver um viés político no julgamento feito pela Câmara sobre a denúncia por corrupção contra Temer, Janot acreedita que fez seu trabalho e lembrou que a denúncia se mantém íntegra, à espera do fim do mandato para o presidente ser processado.

Sobre o ex-deputado Rodrigo da Rocha Loures, o procurador suspeita que seja um laranja. Também afirmou que não há a necessidade de alguém receber o dinheiro para ser autuado no crime de corrupção, podendo usar um intermediário para isso.

'Enquanto houver bambu, lá vai flecha'

Sem descartar uma nova denúncia contra Temer além das que podem surgir das investigações de obstrução e organização criminosa, Janot foi enfático. "Enquanto houver bambu, lá vai flecha. Meu mandato vai até 17 de setembro. Até lá não vou deixar de praticar ato de ofício porque isso se chama prevaricação".

Em realação à retirada da investigação de organização criminosa do inquérito da JBS para o do 'quadrilhão' do PMDB na Câmara, o procurador disse que este crime é permanente e, após os últimos fatos envolvendo a JBS, continua em plena atividade, portanto a investigação sobre ele deve se manter atenta.

Sobre a imunidade concedida aos delatores da JBS, Janot considera que só haviam duas opções: ou deixar que o crime continuasse acontecendo ou dar a imunidade.

Além disso, garantiu que não houve erro da PGR em não ter solicitado perícia antes do inquérito. "Como é que você faz uma perícia fora do inquérito? Prova ilícita, debaixo do tapete? Isso é feito no inquérito. E qual foi o resultado da perícia? Nenhuma interferência no áudio". Ele ainda destacou que nunca conversou com Joesley Batista antes do áudio ser feito.

Atuação na PGR

Janot ainda respondeu sobre a declaração do presidente de que ele agiria de maneira política e pessoal contra o governo, afirmando que "Isto é uma República, a lei é igual para todos.

Ao fim, comentou que não deve levar em conta fatores econômicos, políticos e sociais em seus atos, motivos de crítica por parte da defesa do presidente. "A partir do momento em que começo a contabilizar estes fatores, como é que tenho critério objetivo para dizer que uma investigação vai desse jeito e a outra não?", questionou.

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