VAZAMENTO DE MENSAGENS

Juiz investiga se 'Vermelho' foi pago para hackear autoridades

Ricardo Leite, juiz de Brasília, anota a necessidade de apurar a "motivação de Walter ao repassar informações ao Intercept, e se recebeu alguma quantia em pagamento"

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 02/08/2019 às 9:11
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Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
Ricardo Leite, juiz de Brasília, anota a necessidade de apurar a "motivação de Walter ao repassar informações ao Intercept, e se recebeu alguma quantia em pagamento" - FOTO: Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
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O juiz federal da 10ª Vara de Brasília, Ricardo Leite, afirmou haver "incongruências" no depoimento de Walter Delgatti Neto, suspeito de liderar a organização alvo da Operação Spoofing, que teria hackeado mil pessoas, entre elas, autoridades dos três Poderes. Essa foi uma das razões para converter a prisão temporária - por cinco dias prorrogáveis - dos investigados em preventiva - por tempo indeterminado.

Em depoimento, Delgatti chegou a dizer que agiu sozinho, e não foi remunerado pelo crime. No entanto, o magistrado também afirma querer saber se ele foi pago.

Juiz apura motivação

O juiz anota a necessidade de apurar a "motivação de Walter Delgatti Neto ao repassar informações sigilosas ao sítio eletrônico Intercept, e se recebeu alguma quantia em pagamento".

"O investigado afirma ter agido sozinho e não ter recebido nenhuma vantagem em troca das mensagens capturadas das contas do Telegram de suas vítimas. Ocorre que, dos novos elementos probatórios trazidos pela autoridade policial, da análise dos computadores e discos rígidos arrecadados na residência de Walter Delgatti Neto, laudo pericial atestou a realização de 5 812 ligações suspeitas no sistema da BRVOZ que tiveram como alvo 1.162 números distintos, o que revela a possível atuação de outras pessoas juntamente com Walter", afirma o juiz.

Nesta quinta-feira, dia 1º, o prazo da cautelar se esgotaria. A PF e o Ministério Público Federal, no entanto, pediram para que ela fosse convertida em preventiva - ou seja, por tempo indeterminado. Após voltar de férias, Leite decidiu manter os suspeitos de hackear autoridades na cadeia.

Para manter presos os demais nomes, além de "Vermelho", o juiz fundamentou principalmente nas suspeitas de que cometeram crimes como fraudes bancárias. "Foram encontradas mensagens nos aparelhos celulares apreendidos na residência de Suelen Priscila de Oliveira e Gustavo Henrique Elias Santos, evidenciando que Suelen tinha conhecimento e praticava fraudes bancarias".

Origem da quantia apreendida

O juiz Ricardo Leite frisou que não se comprovou a origem lícita da quantia de R$ 99 mil em espécie apreendida com o casal. "Há diversas lacunas que não foram esclarecidas com a origem do montante de R$ 99 mil encontrados na residência de Gustavo e de Suelen".

O magistrado ainda quer saber em "que constituiu a participação de Danilo já que surgiram fortes indícios de que tinha total conhecimento da prática delitiva, desconstituindo as suas declarações perante a polícia de que agiu em razão de amizade que tinha com Walter". "Além disso, o próprio Walter Delgatti declarou sua habilidade em informática, sendo que solto poderá destruir provas".

Entre as vítimas de ataques no período investigado pela Operação Spoofing, estão o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça Sergio Moro, o presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha e o ministro do Supremo Alexandre de Moraes - além de procuradores, magistrados, políticos e jornalistas.

Invasões dos hackers é o tema do Podcast O Fato É..

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