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'Nunca precisei mamar em teta nenhuma', diz Doria em resposta a Bolsonaro

O presidente disse que Doria 'estava mamando' no governo do PT, referindo-se, mais uma vez, à compra de aviões com financiamento do BNDES

JC Online
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Publicado em 30/08/2019 às 10:43
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Foto: Marcos Corrêa/PR
O presidente disse que Doria 'estava mamando' no governo do PT, referindo-se, mais uma vez, à compra de aviões com financiamento do BNDES - FOTO: Foto: Marcos Corrêa/PR
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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta sexta-feira (30), nunca precisou de benesses em sua carreira. A declaração foi feita em resposta ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), que em live nessa quinta (29) afirmou que Doria "estava mamando" no governo do PT, referindo-se, mais uma vez, à compra de aviões com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O tucano está em Berlim, na Alemanha, onde participa de uma apresentação da Volkswagen sobre compartilhamentos de veículos. Lá, Doria, questionado se manteria alguma relação de amizade com os ex-presidentes pelo PT, negou. "Não, ao contrário. Tenho posição bem distinta. Nunca precisei mamar em teta nenhuma." 

Sobre o avião financiado pelo BNDES, o governador paulista disse que "isso gerou empregos, impostos e oportunidades para brasileiros aqui por meio da Embraer". "O financiamento do avião que compramos, um Legacy 650, foi feito juntamente com outros 135 financiamentos de aviões executivos para empresas brasileiras e internacionais. É assim no mundo: os competidores da Embraer também financiam os aviões executivos e com isso gerou empregos, impostos e oportunidades para brasileiros aqui por meio da Embraer, que disputa o mercado mundial com outros três competidores", falou.

Para João Doria, não há problema em divulgar a informação, que já era pública.

Críticas de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta quinta-feira (29) que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), "estava mamando" no governo do PT. O presidente se referia à compra de aviões com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"João Doria, comprou também? Explica isso aí. Só peixe, amigão do Lula e da Dilma. Vejo Doria falando 'minha bandeira jamais será vermelha'. É brincadeira. Quando estava mamando a bandeira lá, a bandeira era vermelha foiçasso e um martelo sem problema nenhum, né?", disse Bolsonaro.

O presidente também ironizou o apresentador Luciano Huck. "Já apareceu aquela galerinha da compra do avião com 3% 3,5% (de juros) ao ano. Luciano Huck, que teta hein? Sou o último capitulo do caos?! Não foi ilegal a compra (de Huck), reconheço, mas só pra peixe", disse Bolsonaro.

O BNDES divulgou em 19 de agosto uma lista de 134 empresas que contrataram financiamento do banco no período de 2009 a 2014 para a compra de jatos da Embraer. Entre essas empresas, está a Brisair, do empresário e apresentador de TV Luciano Huck, que obteve empréstimo de R$ 17 milhões em 2010. Aparecem na lista também empresas ligadas ao governador João Doria - que, via Doria Administração de Bens, financiou R$ 44 milhões em 2010.

Bolsonaro disse que estes dados são parte da "caixa-preta do BNDES".

Em nota, Huck afirmou que usou linha de crédito do banco concebida "para favorecer a indústria nacional, abrindo-lhe condições de competir em pé de igualdade com produtores estrangeiros" e disse que o empréstimo foi "transparente, pago até o fim, sem atraso". "A compra e o financiamento da aeronave foi feita por meio de um contrato absolutamente legal, sem vício, vantagem ou privilégio", diz a nota do apresentador.

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