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Prefeito quer base vestindo a camisa

Em reunião ampliada com secretários e vereadores, João da Costa fornece munição para que sua gestão seja defendida das críticas da oposição e do "fogo amigo"

Diogo Menezes
Diogo Menezes
Publicado em 12/05/2011 às 8:13
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Um dia depois de ver o deputado estadual Sílvio Costa Filho admitir o debate sobre um possível Plano B dos governistas na sucessão municipal de 2012 no Recife - inclusive alegando que foi o próprio PT que abriu esse debate, nos bastidores -, o prefeito João da Costa (PT) mostrou, na última quarta-feira (11), "munição" para a equipe e os vereadores governistas defenderem, política e administrativamente, a sua gestão. Foi uma demonstração de que a fala de Sílvio Filho - um dos líderes do PTB estadual, partido que até janeiro integrava o primeiro escalão da Prefeitura - incomodou muito o prefeito, que procura viabilizar seu projeto de reeleição. O recado foi claro: os correligionários devem ocupar todos os espaços para responder aos ataques da oposição e do "fogo amigo".

Durante duas horas e meia, João da Costa explicou aos aliados - com detalhes - as ações que a PCR está promovendo para resolver os problemas provocados pelas chuvas que castigam a cidade desde a Páscoa, que envolve, inclusive, um pacote de serviços para melhorar o fluxo do trânsito, avaliado em R$ 17,9 milhões. Pequenas intervenções que, segundo ele, vão ter grandes repercussões. A reunião ampla, a primeira realizada desde que Costa voltou da licença médica em janeiro, revelou ainda que o prefeito não tem problemas apenas na comunicação com a opinião pública, que utiliza as redes sociais para criticá-lo. Também enfrenta deficiência nessa área com a própria equipe.

Uma parte dos secretários, assim como dos vereadores governistas, não tinha conhecimento das ações da prefeitura e saiu surpresa, positivamente, com as intervenções tomadas pelo gestor para evitar que as chuvas provoquem mortes nas áreas mais carentes da cidade. Isso porque só alguns secretários estão envolvidos diretamente no enfrentamento desses problemas. Em reserva, auxiliares e vereadores disseram que, agora, estão mais à vontade para defender o gestor e a administração. E isso passará a ser feito de forma ampla, recorrendo, inclusive, à internet. Quem ainda não está nas redes sociais, está sendo estimulado a fazer parte. O objetivo é mobilizar toda a equipe e os vereadores. Após a reunião, o espírito era "vestir a camisa" porque a gestão "é de todos".

Independentemente desse engajamento, todos os secretários irão sentir, no bolso, os efeitos financeiros das medidas que a PCR está tomando para minimizar os efeitos do inverno. De acordo com os cálculos iniciais, a PCR iria gastar aproximadamente R$ 53 milhões com a Operação Inverno, mas esse valor será maior. Alguns programas devem perder recursos, que serão direcionados para a Operação Inverno. O estudo já começou a ser feito pela Secretaria de Finanças. "Quando votamos o orçamento no ano passado não prevíamos um inverno dessa magnitude. O que caiu de água no Recife equivale a duas cheias de 1975", frisou o vice-prefeito Milton Coelho (PSB). No orçamento 2011, os recursos destinados à Operação Inverno totalizam, aproximadamente, R$ 2,4 bilhões.

João da Costa disse que vai procurar o governo federal para fazer parcerias e tentar conseguir mais recursos. E garantiu que as ações prioritárias de todas as pastas não serão comprometidas. "Se a gente conseguir arrecadar mais, está resolvido. Apesar desse aperto, não haverá descontinuidade", falou. O Secretário de Controle e Desenvolvimento Urbano, Amir Schvartz, ficará acumulando essa função com a da Secretaria da Copa por até 60 dias, período em que a nova pasta estará estruturada.

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