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Armando reafirma em nota sintonia com o Palácio

Em meio à polêmica da PEC da reeleição, líder do PTB tenta repelir "insinuações divisionistas e desagregadoras"

Ciro Carlos Rocha
Ciro Carlos Rocha
Publicado em 22/06/2011 às 23:29
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A aprovação da PEC da reeleição ainda repercutiu no PTB, dois dias após sua votação. Presidente estadual do partido, o senador Armando Monteiro Neto enviou nova nota à imprensa, nesta quarta-feira (22), onde assegura a fidelidade dos petebistas à Frente Popular de Pernambuco, comandado pelo governador Eduardo Campos (PSB), e repele “insinuações divisionistas e desagregadoras”. A reação veio em razão de rumores de que Armando, ao recomendar aos deputados estaduais petebistas o voto contra a PEC, estaria executando uma manobra de descolamento do grupo. Na nota, porém, Armando não cita punições aos infiéis.

Armando classificou como “natural” a dissensão do PTB com os governistas e com o desejo velado do governador Eduardo Campos de ter a PEC aprovada, abrindo assim o caminho para uma quarta gestão consecutiva do deputado Guilherme Uchoa (PDT) como presidente da Assembleia Legislativa. Atribuiu essa dissidência à pluralidade natural da ampla base aliada que forma a Frente Popular. Mas ressaltou que isto não significa uma ruptura.

“A existência de divergências ocasionais são absolutamente naturais quando decorrem da pluralidade de visões e opiniões inerentes a tão expressivo conjunto de forças. O PTB, ciente das suas responsabilidades públicas, continuará buscando a harmonização dos interesses da nossa frente política, sem jamais sobrepor a eles motivações estritamente partidárias ou projetos personalistas”, afirmou ele, na nota.

A possibilidade de punição aos infiéis do PTB ficou no ar em função das ameaças da própria cúpula estadual petebista. Na nota, ontem, Armando evitou polemizar ainda mais o assunto. Se limitou a enaltecer que a maioria da bancada seguiu a determinação da cúpula e votou contra a PEC. “(O partido) postou-se de forma coerente, tendo inclusive contado com o majoritário respaldo de sua bancada”, elogiou o senador.

Mas dias antes da votação, os parlamentares do PTB receberam uma notificação dura, assinada pelo senador, informando a posição contrária do partido quanto ao tema e ameaçando de expulsão quem não seguisse a orientação. Mesmo assim, três dos nove parlamentares da legenda – Clodoaldo Magalhães, Everaldo Cabral e Francismar Pontes – foram favoráveis à PEC, contrariando a cúpula petebista.

E logo após a votação, o deputado estadual José Humberto Cavalcanti, secretário-geral do PTB pernambucano e fiel seguidor de Armando, declarou que, “a bem da disciplina”, deve o partido tomar alguma posição em relação aos três deputados “rebeldes”. Afirmou ser importante em uma organização partidária representativa o respeito à hierarquia. “Não deixa de ser uma indisciplina. Pode ter advertência formal ou verbal. O PTB vai avaliar o que fazer e como fazer. Vai ser um momento de reflexão”, ressaltou ele na terça-feira (21).

Haverá uma reunião em julho, em data ainda indefinida, entre Armando e toda a bancada do PTB na Assembleia. É nesta oportunidade que a votação da PEC será avaliada e eventuais punições, anunciadas.

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