Agreste

Vereadores de São Joaquim do Monte denunciam irregularidades no Bolsa Família

Funcionários da prefeitura e até a esposa do presidente da Câmara estariam ganhando o benefício

Ciro Carlos Rocha
Ciro Carlos Rocha
Publicado em 22/06/2011 às 0:02
Foto: Reprodução/WhatsApp
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Vereadores de São Joaquim do Monte, no Agreste pernambucano, denunciaram na Câmara e ao Ministério Público supostas irregularidades no recebimento de benefícios do Programa Bolsa Família no município. De acordo com eles, pelo menos 12 pessoas estariam recebendo a ajuda do governo federal de forma irregular, entre eles funcionários da prefeitura e a esposa do presidente da Câmara de Vereadores, Osmair Raimundo da Silva (PSDB).

As denúncias partiram dos vereadores Almir Melo (PMDB), Paulo Sandro (PTB) e João Tenório (PSDB), que fazem oposição ao prefeito José Lins da Silva, conhecido como Zé Birro (PDT). Nos documentos entregues ao Ministério Público, no último dia 14, eles relacionam o nome das pessoas que estariam fraudando o programa.

“A lista tem nomes de enfermeiros, professores e outros servidores da prefeitura que não se enquadram na renda exigida para receber o benefício”, diz Almir Melo. Segundo ele, a documentação entregue à promotoria comprava que os beneficiários ganham acima do exigido pelo governo federal.

Entre os nomes citados pelos parlamentares está o da esposa do atual presidente da Câmara, Osmair Raimundo da Silva (PSDB), que recebe cerca de R$ 6,5 mil por mês. Procurado pelo JC, Osmair disse que antes de ser eleito vereador era agricultor e se enquadrava nas exigências do Bolsa Família.

“Naquela época, minha esposa pediu o benefício, que demorou a ser aprovado. Quando chegou eu já era vereador e pedi para ela cancelar imediatamente. Se deixar de ser vereador, volto a me enquadrar o programa”, argumentou. Osmair não soube informar se a esposa, Maria Aparecida Ramiro da Silva, chegou a receber algum recurso depois que ele foi eleito vereador, em 2008.

Por meio de sua assessoria, a Prefeitura de São Joaquim do Monte informou que a esposa do vereador se cadastrou no Bolsa Família em 2006, quando estava dentro do perfil exigido e que atualmente o benefício está cortado.
Um levantamento será realizado para saber se alguém está recebendo indevidamente. Nesse caso, o benefício será cortado. De acordo com a prefeitura, em alguns casos, os beneficiários mudam de emprego ou passam em concurso e não fazem o cancelamento do benefício, que atende 3,7 mil famílias no município.

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