Governo

Dilma perdeu a oportunidade de avançar a reforma política, avaliam especialistas

Analistas e políticos ouvidos pelo JC em 2010 apontam, agora, que 2011 foi a "oportunidade perdida" e que a reforma política ficou mais difícil

Ciro Carlos Rocha
Ciro Carlos Rocha
Publicado em 07/01/2012 às 14:00
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Há um ano, uma expectativa dominava governistas e oposicionistas, no Congresso Nacional e na sociedade civil, sobre o primeiro ano de governo da primeira presidente da República, Dilma Rousseff (PT). Com um capital político nunca antes igualado, na Câmara e no Senado, que nenhum outro presidente pós-ditadura de 64 teve para começar a governar, era consenso que as reformas institucionais finalmente iriam ser implantadas no País.

Um ano depois, entre os mesmos personagens ouvidos na ocasião pelo JC, representativos da política e da sociedade, um novo consenso está formado: o da frustração. O pensamento é o de que, em 2011, a presidente não aproveitou o seu capital político, perdeu a oportunidade e dificilmente conseguirá fazer, a partir de agora, as reformas urgentes que a vida do País reclama, principalmente a mãe de todas elas: a reforma política.

Se a unanimidade antes da posse de Dilma era a de que nunca houve condições tão favoráveis para reformas, respaldadas pelas urnas, desde a redemocratização em 1985 – iniciativa que os ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Lula, com toda a sua popularidade, sequer esboçaram com credibilidade –, a conclusão agora é que a própria base destruiu o capital da presidente. O que se tentou mudar foi para ficar no mesmo lugar.

O cientista político Michel Zaidan afirma que Dilma “tornou-se refém da base”, na qual todos apostavam que seria o endosso para as mudanças. “A base política do governo é muito ruim. Uma reforma seria uma reorganização política no Congresso, o que atingiria os próprios partidos da base”, interpreta Zaidan a razão do fracasso.

Cético quanto ao futuro da reforma política, o economista e consultor Maurício Romão não faz mais previsão nem alimenta expectativa. “Está claro que não há nada para 2012, e olhe lá até 2014”, deduz. Se em 2010 dizia que os sistema está se corrompendo pela forma de financiamento, Romão vê-se – um ano depois – corroborado pelos fatos.

“Na política, os ministros foram um ponto bastante negativo. O sistema para a montagem de ministério gera um aparelhamento indesejável do Estado”, analisa. Na mesma linha, o cientista político Antônio Lavareda define 2011 com o ano da oportunidade perdida, nivelando Dilma às omissões dos ex-presidentes que a antecederam. “A reforma política, que era a grande expectativa, frustrou a todos. Ela perdeu a oportunidade ao não utilizar o capital político para a realizar. Repetiu, assim, a omissão de FHC e de Lula”, alinhou.

A condução da economia com segurança e estabilidade em meio a um mar de agitação no mercado financeiro e economia internacionais é apontada como a grande vitória do primeiro ano do governo Dilma. Nem mesmo as turbulências políticas que o governo ainda travessa com seus ministérios abalaram a solidez da gestão econômica.

“Para as condições que enfrentou, ela fez um bom governo”, avalia a economista e professora da UFPE Tânia Bacelar. A expectativa pelas reformar, todavia, admitiu que perdeu. “Ela (Dilma) perdeu o 'time' das reformas política e tributária. Em 2012, vai ser muito difícil fazer. A economia externa não ajudará e será um ano eleitoral, o que exacerba a base”, projeta Tânia.

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