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Escândalo da Petrobras envolvia propinas de até 3%

Segundo o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o esquema de corrupção na diretoria de Serviço da estatal era operado pelo PT

Do JC Online
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Publicado em 10/10/2014 às 11:21
Foto: Agência Brasil
Segundo o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o esquema de corrupção na diretoria de Serviço da estatal era operado pelo PT - FOTO: Foto: Agência Brasil
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Em depoimento à Justiça, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que o esquema de corrupção na diretoria de Serviço da estatal era operado pelo PT. Segundo ele, dos 3% de cada contrato cobrado como propina, 2% era “para atender o PT”, enquanto 1% atendia ao PP.

Ainda de acordo com o depoimento, o esquema da Diretoria de Serviços era operado pelo tesoureiro petista, João Vaccari. Além do depoimento do ex-diretor da estatal, também foram divulgadas as revelações do doleiro Alberto Youssef. Em vídeo gravado pela Justiça, Youssef afirma que Lula cedeu à pressão de aliados para nomear Costa diretor da Petrobras.

"Em relação à Diretoria de Serviços, todos sabiam, tinha percentual desses contratos da área de Abastecimento: dos 3%, 2% era para atender ao PT. Outras diretorias como Gás e Energia, Exploração e Produção, também eram do PT. Tinha PT na diretoria de Exploração e Produção, PT na diretoria de Gás e Energia e PT na área de Serviço. Nesse caso, os 3% ficavam diretamente para o PT e não tinha participação do PP. O PP era só na área de Abastecimento", declarou Costa.

O ex-diretor também disse em depoimento que os 3% de propina foram usados em campanhas eleitorais de 2010. Indagado pelo juiz Sérgio Moro sobre quem distribuía o dinheiro dentro da diretoria de Serviços, ele afirmou que dentro do PT, a ligação era com o tesoureiro do partido, João Vaccari. No PMDB, o nome que fazia a articulação toda chama-se Fernando Soares, o Fernando Baiano.

Moro perguntou a Costa se os 3% de propina eram distribuídos para agentes públicos e como se chegou a este número. Também o questionou se o esquema já acontecia antes de sua chegada. “Possivelmente já acontecia. Porque essas empresas já trabalham com a Petrobras há muito tempo. (...) Obras de maior porte de qualidade de derivados, grandes obras nas refinarias, foi colocado lá pelo partido que era dessa média de 3%, 1% para o PP e 2% para o PT dentro da diretoria de serviços”.

Costa disse que o dinheiro da corrupção na Petrobras vem da cartelização das empresas que trabalham para a companhia. “Fica tudo restrito a essas empresas, que são em torno de dez grandes empreiteiras. Na área Petróleo e Gás essas empresas, normalmente, entre custos indiretos e seu lucro, o chamado BDI, colocam algo de 10 a 20% (de superfaturamento), dependendo da obra, do risco da obra, para esse BDI. Nas da Petrobras, o BDI era 15%. Nesse preço se colocava, em média, 3% a mais, que era alocado para agentes políticos”, revelou.

Costa também afirmou que o esquema funcionou na Transpetro, subsidiária da Petrobras. Já segundo Youssef, participaram do esquema de propina a políticos Camargo Corrêa, OAS, UTC, Odebrecht, Queiroz Galvão, Toyo Setal, Galvão Engenharia, Andrade Gutierrez, Iesa, Engevix, Jaraguá Equipamentos e Mendes Junior. Ele deu o nome dos representantes de cada uma delas. Em alguns casos, o próprio presidente da empreiteira participava da negociação.

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